Grande Entrevista Aline de Beuvink

Fotografia ©Tiago Araújo

Aline Gallasch-Hall de Beuvink nasceu no Brasil, mas cedo se mudou para Portugal. Foi aqui que cresceu, estudou e se Doutorou em História pela Universidade de Évora, tendo feito o Mestrado e a Licenciatura nas áreas de História e Cultura Pré-Clássica e História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. No plano político, é ex-deputada municipal em Lisboa e vice-presidente do Partido Popular Monárquico. Filha de Amílcar Gonçalves Hall e de Ludmilla Gallasch Hall, Aline Gallasch-Hall de Beuvink tem, orgulhosamente, ascendência ucraniana pelo lado materno. Hoje é, à semelhança de sua mãe, uma figura querida na comunidade ucraniana em Portugal, ativa na solidariedade a todos os ucranianos que encontram refúgio no nosso país. Fique a conhecê-la um pouco melhor nesta edição da Descendências Magazine.

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Filha de um militar português de origem britânica, Amílcar Gonçalves Hall, e de uma ucraniana, Ludmilla Gallasch Hall, Aline Gallasch-Hall de Beuvink nasceu no Brasil e aos sete anos de idade mudou-se para Portugal. Hoje, é doutorada em História, professora universitária e Vice-Presidente do Partido Popular Monárquico. Deixando os ofícios e posições de lado, quem é Aline Gallasch-Hall de Beuvink?

Esta é uma daquelas perguntas que é tão difícil responder. Primeiro, porque detesto falar sobre mim, prefiro falar sobre ideias. Falarmos sobre nós próprios é sempre complicado.
Sei que isto é um lugar-comum, mas, dadas as minhas origens tão diversas, o facto de ter nascido num continente e ter vindo estudar, viver e trabalhar em outro, acho que, acima de tudo, sou uma cidadã do mundo.

Sempre encontrou na sua mãe e avó duas grandes referências. Muito do que Aline é hoje enquanto, política, professora, profissional e, sobretudo, enquanto mulher deve a estes dois importantes pilares da sua vida?

Devo a todos os meus familiares, incluindo as figuras masculinas – como o meu pai e o meu avô materno, ambos militares – mas estaria a mentir se não reconhecesse a força da influência feminina da minha mãe e da minha avó materna. Na senda característica das mulheres ucranianas, a marca feminina é indubitável. Desde os Citas, cuja igualdade, até militar, entre homem e mulher nessa sociedade se sentiu no reflexo da formação do povo ucraniano, posso dizer que a minha educação, extremamente matriarcal, é disso reflexo. A minha mãe, a minha avó materna e eu somos como uma entidade única a nível de ideias e de força. Esta unidade é o que me mantém viva para enfrentar os obstáculos.

Desde adolescente, sentia-se insatisfeita com os políticos, com as injustiças, com a crise civilizacional. Mas sempre achou que criticar o Governo, sem fazer nada, também é uma incoerência. Foi aqui que começou, ainda que cedo, o seu interesse pela política?

É verdade. Sempre me interessei pela política. Aliás, lembro-me que, dentro de casa eu e os meus pais, sempre debatemos abertamente vários temas.
Sempre considerei que não devemos criticar sem fazer nada, sem dar um contributo e sem tentar ajudar em alguma coisa. O facto de saber que posso fazer algo, dando o meu apoio, colocando as “mãos na massa” e defendendo as minhas causas, levou-me a entrar na política.

Fotografia ©Tiago Araújo
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Atualmente, é Vice-Presidente do Partido Popular Monárquico, um partido que, arriscamos dizer, muitos não sabem que existe. Como surgiu esta ligação ao Partido Popular Monárquico?

De facto, a existência Partido Popular Monárquico não é do conhecimento de todos, mas sendo eu monárquica, sei que há monárquicos em todos os partidos. Pode parecer um contrassenso, mas é verdade. Ninguém vai para o Partido Popular Monárquico para singrar na vida política, isto porque, obviamente, ninguém quer fazer carreira política num partido pequeno. Fui, mesmo, por uma questão de causas. O Partido Popular Monárquico defende causas em que acredito, como o humanismo e a ecologia. Sei que hoje está muito na moda falar em ecologia e ambiente, mas não nos podemos esquecer que o primeiro partido ibérico a falar sobre isso foi, exatamente, o Partido Popular Monárquico, com o grande Gonçalo Ribeiro Telles. Foi esta identificação com as suas bandeiras que me levou a entrar e a contribuir para, e com, o Partido Popular Monárquico. Neste contexto não posso deixar de destacar o enorme contributo que Gonçalo Ribeiro Telles deu para o país, através da preconização dos ideais deste partido. A verdade é que, se olharmos atualmente à nossa volta muitas das ideias que ele defendeu nos anos 70 são hoje, extremamente úteis e fundamentais para a vivência da cidade de Lisboa e do próprio país.

A Aline é respeitada e até algo temida no mundo político. Margarida Bentes Penedo referiu, num texto publicado em 2021, que a Aline “acrescenta uma dose rara de coragem social e política, que a leva a defender sem falsas suavidades as ideias em que acredita”. Dizer aquilo que pensa, objetivamente, de modo bastante direto e sem medos é uma das suas principais características?

Não sei se sou temida, mas digamos que, a minha principal característica, talvez, seja não ser politicamente correta. Não me preocupo em dizer as coisas com paninhos quentes e não me importo de dizer, exatamente, aquilo que penso e defender aquilo em que acredito. Não sou pessoa de recorrer a terminologias, como agora se costuma dizer, “fofinhas”. Sou completamente contra esse tipo de atitudes, não sou hipócrita. Digo o que penso sem rodeios e, claro, sem ser mal-educada.

A sua passagem como deputada pela Assembleia Municipal de Lisboa é digna de reconhecimento. Por todo o seu contributo, mas também por ter provavelmente o registo mais original da Assembleia Municipal de Lisboa já conheceu. Já fez comparações entre a vereação e o panteão greco-romano, já declamou ‘E Depois do Adeus’ e até já relatou as aventuras da vereação, entradas e saídas de plantel, em modo de relato futebolístico à Gabriel Alves. Podemos afirmar que a Aline não é, de facto, a típica autarca cinzenta?

Penso que precisamos ser sérios na política, mas não precisamos ser carrancudos. Muitas vezes, através da ironia conseguimos criticar mais do que se o disséssemos de forma mais seca. Eu recorro muitas vezes à ironia e Portugal tem muita tradição no uso deste registo. Aliás, a ironia está presente em diversas obras da literatura, como por exemplo nas obras de Gil Vicente. Curiosamente, uma das minhas linhas de investigação académica é, exatamente, o teatro e a ópera e, portanto, de certa maneira, acabo por ligar esta veia política e o gosto artístico.

Foi em 2021, quando Francisco Louçã truncou as imagens da intervenção que fez enquanto deputada autárquica, que ficou mais conhecida. Falamos do triste episódio em que Francisco Louçã descontextualizou as suas declarações e negou o Holodomor, a grande fome que matou milhões na Ucrânia durante o comunismo soviético de Estaline. Um período negro que lhe diz muito, pelos seus antepassados, e que sempre se empenhou em divulgar em Portugal. A falta de conhecimento não pode ser desculpa para o desrespeito?

Não pode nunca servir de desculpa. Neste caso em particular, e sendo quem é, não tem desculpa alguma. Este episódio foi, obviamente, exemplo da obsessão política da parte dele. Sinceramente, duvido que, uma pessoa como o Dr. Francisco Louçã, não tivesse tido conhecimento, algures na sua vida, sobre este episódio (Holodomor). Se o quer negar, é algo que está e fica na consciência dele. Mas não existem dúvidas de que este período negro aconteceu e há vária documentação sobre esse assunto que o comprova.

Os seus avós maternos fugiram da Ucrânia no período do Estaline. Deve ter ouvido muitas histórias dessa altura. A sua vida é muito marcada por esses acontecimentos?

Sem sombra de dúvidas. Desde sempre ouço as histórias sobre o que os meus avós maternos, e outros familiares, passaram naquele período. Esses relatos acompanharam-me ao longo da minha existência e são uma parte integrante de mim. Hoje, é assustador ver paralelismos tão fortes como os que estão a decorrer, neste momento, com a invasão e guerra na Ucrânia, por parte da Rússia. A única grande diferença, entre os relatos que os meus avós faziam e aquilo que vejo agora, é a tecnologia.

Os seus avós maternos fugiram da Ucrânia no período do Estaline. Deve ter ouvido muitas histórias dessa altura. A sua vida é muito marcada por esses acontecimentos?

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A Rússia sempre tentou dominar a Ucrânia, todos estes séculos. Depois do Holodomor, um novo episódio dramático marcará para sempre a história da humanidade. Considera que se deve continuar a lutar pelas conversações diplomáticas para alcançar a paz na Ucrânia, após a ofensiva militar russa??

Penso que não podemos perder a esperança de lutar e de acreditar na diplomacia. Porém, como diziam os romanos “se queres paz prepara-te para a guerra” e, infelizmente, Putin sempre disse ao que vinha. É muito difícil fazer conversações de paz com alguém que diz que a nossa raça não deve existir, que os ucranianos não existem. É muito difícil, e imagino como portuguesa que sou, se alguém me dissesse que os portugueses não têm razão de existir. É difícil estabelecer conversações de paz, ou tentar conseguir paz, com um interlocutor que acha que nós não devemos existir e que, por isso, tem levado a cabo um verdadeiro genocídio. Daí, talvez, na minha opinião ser extremamente necessário um mediador, ou até mais, para se conseguir chegar a uma tão almejada paz.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que a guerra não terá vencedores e que esta crise poderá culminar numa crise alimentar mundial e piorar as já pobres condições nos países em desenvolvimento. Esta não é só uma guerra da Rússia contra Ucrânia, mas sim contra o resto do mundo?

O Secretário-Geral da ONU demorou dois meses a fazer alguma coisa; como se viu foi fulcral a ida dele à Ucrânia e à Rússia para os refugiados. Conseguiu-se retirar os civis de Mariupol. Quantas vidas poderiam ter sido salvas, se ele tivesse acordado e feito aquilo que era exigível ao seu cargo?

O Presidente ucraniano discursou, recentemente, na Assembleia da República. Numa mensagem curta, Zelensky destacou a violência das forças russas contra a população ucraniana, agradeceu o apoio português à Ucrânia e reforçou o apelo para travar a Rússia de destruir a democracia dos países do leste da Europa. O discurso de Zelensky terminou com uma ovação do Parlamento português, onde apenas faltavam os deputados do PCP. Contudo esta posição não é caso único no mundo, nem sequer na Europa…

Se até há quem negue o Holocausto, infelizmente, haverá pessoas que se comportam como o PCP e não reconhecem o momento inacreditável que a Ucrânia está a viver. Muitas vezes a ideologia anti-americana, anti-NATO e anti-alguns valores do Ocidente cega as pessoas e não lhes permite perceber a necessidade de humanidade. E é uma pena. Mas, como se percebeu, o PCP não estando presente, não fez falta nenhuma.

O presidente da Ucrânia tornou-se, nos últimos meses, no rosto mais popular do chamado “mundo livre”, tendo sido, inclusive, um dos cinco distinguidos com o Prémio John Kennedy Perfil de Coragem, pela sua ação na proteção da democracia. Que ideia tinha de Volodomir Zelenski antes de tudo isto acontecer e hoje no presente?

Não tinha uma grande ideia formada. Apenas de um actor cómico que tinha ingressado na vida política. Não o conhecia para além disso. Porém, como muitas vezes aconteceu na História, foi na adversidade que se revelou o homem que era necessário. E isso é também uma lição de humildade para todos nós: compreender que os grandes homens vêm de onde menos se espera. A fé e a luta pelos ideais não se aprendem nos livros.

Desde o início da emigração ucraniana em Portugal nos anos 1990, os seus pais têm dedicado uma grande parte do seu tempo à ajuda aos ucranianos que eram completamente desconhecidos em Portugal e nem tinham a oportunidade de conhecer direito no seu novo país de acolhimento. Também a Aline, desde sempre teve uma atenção especial para com a comunidade ucraniana residente em Lisboa. Numa altura como esta, de que forma têm sido desenvolvidos esforços no sentido de contribuir para a sua maior integração na sociedade portuguesa?

Considero que não é preciso fazer grandes esforços para que os ucranianos se integrem na sociedade. Sendo, atualmente, a segunda maior comunidade estrangeira em Portugal, é também uma das que melhor se integrou até hoje, à semelhança da comunidade brasileira. Nota-se, perfeitamente, que eles têm um grande respeito pelo país de acolhimento e tentam viver a vida que os portugueses vivem, não abdicando, no entanto, da sua identidade. Isto será talvez uma das suas características mais interessantes. Durante a semana os miúdos vão às escolas portuguesas, muitos até se tornam os melhores alunos dessas turmas, e ao fim-de-semana dedicam-se à escola ucraniana e a manter vivas as suas raízes. Acho isso extraordinário.
Para além desta capacidade de rápida integração, os ucranianos não têm problema em trabalhar, seja no que for. A maior parte deles tem cursos superiores e não se importa de (re)começar por baixo, mesmo que o que façam não tenha nada a ver com a sua formação profissional e académica. Ao longo destes anos conhecemos vários diretores de hospitais, professores universitários, pessoas que tinham na sua terra uma posição social, académica e profissional elevada, que acabaram por estar a lavar escadas em Portugal e que não se importaram nada com isso. Não era uma vergonha para eles trabalhar, porque eles queriam progredir e recomeçar, fosse de que maneira fosse. Eles dedicam-se totalmente.
Ainda antes de haver um Consulado ou uma Embaixada em Portugal, os meus pais e, principalmente a minha mãe, sempre ajudaram os ucranianos. Nós chegamos a ter, ao longo dos anos, cerca de 300 pessoas que ficaram alojadas na nossa casa, a quem fomos oferecendo espaço e tudo aquilo que precisassem, até que se conseguissem instalar. E ainda hoje, ajudamos e damos todo o apoio naquilo que necessitam. Nós temos um carinho muito grande pela comunidade ucraniana e sempre que podemos participar nas atividades e ajudá-los, fazemo-lo.

Inerente à identidade ucraniana é a coragem em manter a fé viva. Hoje, a fé é ainda mais fundamental no importante processo de ajudar quem precisa de nós. É essa esperança e fé que vai movendo o povo ucraniano, na Ucrânia e aqui?

Indubitavelmente, a fé é fundamental. Quem conhece o povo ucraniano e a história do povo ucraniano, percebe, facilmente, que aquilo que os move é a fé, a coragem e, de certa forma, a esperança – de serem livres e de poderem viver a sua vida, a sua terra, a sua identidade.

A guerra na Ucrânia fez sobressair as melhores qualidades dos portugueses. A solidariedade e o espírito de entreajuda que levaram milhares de pessoas a irem buscar refugiados ucranianos e a acolhê-los em suas casas, muitas vezes com grande sacrifício pessoal, revela a nobreza de alma do povo português. Infelizmente, a crise ucraniana também fez sobressair as piores qualidades de alguns portugueses?

Não acho que seja a pior qualidade de alguns portugueses. Penso que terá, sobretudo, a ver com a ignorância, com o profundo desconhecimento do que é que eles passam e com uma profunda lavagem cerebral. Se pensarmos bem, muitos conhecem a Ucrânia pelo olhar russo e, principalmente, pelo olhar soviético. Perante esta realidade, acho que é, sobretudo, a ignorância a falar mais alto.
As pessoas têm que perceber que não se trata de ver qual é o lado do bem e o lado do mal, o lado dos ucranianos ou o lado dos russos. Trata-se de uma questão de humanidade. Trata-se de um povo que está a ser dizimado por questões políticas, territoriais e ideológicas.
Apesar disso, muitos portugueses viram esta injustiça e é comovente assistir à onda de solidariedade que se criou entre os portugueses, de quem a ajuda tem sido extraordinária. Os portugueses, aqui, também são uns heróis.

Recentemente publicou na sua página Facebook: “Nunca tive tanto orgulho em ter sido a única a votar contra a proposta de felicitações aos 100 anos do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa (em 2021) como hoje”. Que efeito terá a longo prazo a posição do partido sobre a invasão russa?

Temos vindo a perceber que o Partido Comunista tem perdido o apoio do seu eleitorado. Não digo em posições como as que tem tido, relativamente à guerra na Ucrânia e ao apoio meio que velado a Vladimir Putin, mas penso que não compreende as verdadeiras necessidades que o povo português no fundo está a ter. Não digo que perderam o comboio, porque podem sempre apanhar outro, mas de facto o Partido Comunista Português está a diminuir face a outros anos. Eles estão parados no tempo e ainda não perceberam que Putin é mais de extrema-direita do que qualquer outra coisa.

A embaixada da Ucrânia em Portugal afirmou recentemente que teme pela segurança dos refugiados ucranianos que chegam ao país, porque, há informações de que existem organizações pró-russas que estão infiltradas no apoio aos refugiados. Esta situação está a colocar em causa a segurança de quem foge da guerra e das famílias que ficaram na Ucrânia a lutar contra a Rússia?

Até ao momento não tenho conhecimento de nenhuma associação ucraniana que tenha “agentes infiltrados”. Tenho, sim, tido conhecimento de estruturas locais portuguesas, que têm “agentes infiltrados” portugueses, e operacionais russos. Esta é a informação que me chegou até agora e que, para mim, é muito preocupante. Não posso apontar, porque não me chegaram provas, chegaram apenas denúncias, mas que há vários ucranianos que já se estão a queixar, há. Aliás, chegaram-me, inclusive, denúncias de relatos de familiares militares que ficaram na Ucrânia e que estão a ser perseguidos, porque os seus nomes foram veiculados.

Fotografia ©Tiago Araújo

Os seus avós maternos tiveram de sair da Ucrânia nos tempos do estalinismo, depois da Grande Fome e da Segunda Guerra Mundial, mas a Aline continua a manter raízes no país. É possível descrever o que se sente num momento como este?

O que se sente é um desespero enorme e uma incapacidade total de poder contribuir, de poder ajudar. É de facto desesperante. Uma pessoa chega a um momento em que mantém uma calma que só o desespero tem. Obviamente, só quero que este pesadelo acabe, mas infelizmente daquilo que conheço da história parece-me que não vai acabar tão depressa.

Numa entrevista em 2021 disse que ainda não tinha tido a oportunidade de ir à Ucrânia. Referiu que depois da pandemia gostaria de ir lá com a família, conhecer as suas origens. Este desejo e a sua admiração pelo povo ucraniano tornou-se agora ainda maior?

Não se tornou maior, porque já sabia daquilo que o povo ucraniano era capaz. O orgulho é que, provavelmente, é mais visível neste momento. Realmente, sinto um orgulho muito grande por eles não cederem. Como o meu avô materno costumava dizer: “enquanto houver um ucraniano vivo no mundo, a Ucrânia não morrerá, não deixará de existir”. Tenho um grande desgosto, a minha mãe e o meu irmão também, de não termos conhecido a Ucrânia antes desta guerra. Se eu tivesse possibilidade e oportunidade, gostaria de ir lá, não só para conhecer, mas também para contribuir para reerguer a Ucrânia das cinzas.

Que mensagem gostaria de deixar a todos os ucranianos?

Que se mantenham firmes. Que se lembrem que, infelizmente, também os nossos antepassados passaram por isso e que, tal como eles, também nós vamos conseguir vencer.
E que a Ucrânia é hoje o bastião da luta pelos valores da Liberdade, Democracia e Humanidade, os valores que o Ocidente defende.

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