Obra de Capa janeiro

Panorâmico

“Sonho e introspeção, tal como as tintas, os fios e os tecidos, entrelaçam-se numa divagação em tela, extravasando-a por vezes, de resultado surpreendente e inquiridor”.

Alguém definiu assim o meu trabalho.

Nos próximos 12 meses, é este o convite que vos faço: um percurso à descoberta deste universo artístico.  Um mês, uma obra, uma temática, uma técnica, um questionamento. 


Sempre tive muita dificuldade em escolher… optar implica abdicar.
Desde os meus primeiros passos nas artes plásticas percebi que não conseguiria escolher entre a tinta e o fio. Única opção: cultivar uma linguagem plástica, poética e singular que permita a coexistências destes dois médiuns.
Tem sido um percurso de experimentação no qual a constante busca do diálogo entre pintura e “bordado”, se associa ultimamente, a um novo suporte: um papel filandroso que aceita de bom grado as cicatrizes e tensões produzidas pelo ponto livre da máquina. Pigmentos, grafite e óleo se entrelaçam para melhor acomodar os sussurros da máquina.
A delicadeza do desenho, a resiliência do papel, a transparência, a espessura, a flexibilidade e as tensões constroem um universo íntimo, aliando força e fragilidade.
O desenho adapta-se e amplifica-se graças às intervenções do fio. Nesta obra da capa ele é discreto, quase esquivo.
Animada pelas temáticas do corpo, da infância, do lugar, da memória e do desenraizamento, vou explorando o território invisível das emoções. Corpo e Paisagem são as bases duma linguagem alegórica onde se cruzam as noções de privado e de coletivo.

Panorâmico

Um sitio que evoca certamente algo aos Lisboetas. Um lugar fora do tempo. Um espaço que nos oferece um olhar para o infinito. Meditativo e intemporal, ele é terreno de jogo e terreno de batalha.
Uma estrutura, um elemento arquitetónico capta a minha atenção. Objeto grotesco, pois arrancado à sua função. Caído do céu como um óvni fracassado em território desconhecido. Desenraizado, como eu própria sou.
Território, palavra polissémica e quão perigosa… atualmente. É este aspeto da paisagem que me interessa explorar. Encenar espaços melancólicos para questionar a dualidade entre presença e ausência, entre ruptura e pertença.
A obra “Panorâmico” integra-se na temática que intitulo “Geografias”. Mais do que paisagens, estas obras evocam geografias da alma, do afeto e do sensível.

E a imagem recria o passado …

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