Ano Novo, Vida Nova… Fiscal

O início de um novo ano é, para muitas famílias, sinónimo de resoluções ambiciosas: ir ao ginásio, comer melhor, poupar mais. Do ponto de vista fiscal, porém, janeiro traz uma resolução menos entusiasmante, mas essencial: antes de começar um novo ciclo, convém fechar bem o anterior. Porque, ao contrário das dietas, o Fisco não esquece facilmente.
Janeiro é, por excelência, o mês para garantir que todas as obrigações fiscais do ano terminado estão devidamente asseguradas. Desde logo, importa confirmar que todas as faturas de 2025 foram efetivamente emitidas — uma atenção redobrada para trabalhadores independentes, pequenos empresários e senhorios, onde esquecimentos, atrasos ou “logo trato disso” podem traduzir-se em coimas ou correções futuras pouco simpáticas.
Em paralelo, é fundamental visitar o Portal e-Fatura e verificar se todas as faturas estão devidamente comunicadas e classificadas. Esta tarefa não deve limitar-se ao próprio contribuinte: é indispensável confirmar a situação de todo o agregado familiar — cônjuges, dependentes maiores e menores — porque uma despesa por classificar hoje pode significar menos deduções amanhã. E, convenhamos, ninguém gosta de oferecer dinheiro ao Estado por distração.
Outro aspeto frequentemente desvalorizado é a organização documental. Janeiro é o momento ideal para reunir e conferir toda a informação relevante de 2025: comprovativos de rendimentos, despesas de saúde, educação, habitação, seguros, donativos ou mais-valias. Assim, quando chegar a época da entrega da declaração de IRS, o processo será menos um exercício de arqueologia e mais um simples preenchimento.
É também uma boa altura para aprender com o passado recente: perceber que faturas não foram pedidas, quais ficaram com NIF errado ou que despesas ficaram fora do radar. Pequenos ajustes agora podem traduzir-se numa gestão fiscal muito mais eficiente em 2026.
Só depois de devidamente fechado o ciclo fiscal anterior faz sentido olhar para o futuro. Um dos primeiros passos relativamente a 2026 passa pela atualização da composição do agregado familiar no Portal das Finanças, sempre que tenham ocorrido alterações relevantes: casamentos, divórcios, nascimentos, óbitos ou até a situação de cuidadores de pais, ou sogros. Um registo simples, mas determinante para o correto enquadramento fiscal ao longo do ano.
Em matéria fiscal, começar bem o ano significa, muitas vezes, terminar bem o anterior. Reservar algum tempo em janeiro para estas tarefas é um investimento em tranquilidade, menos erros e, potencialmente, numa carga fiscal mais ajustada à realidade de cada família — tudo isto, enquanto se têm a certeza que os rendimentos do trabalho e prediais serão um pouco menos castigados em 2026. Feliz Ano Novo.

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