O brincar em Psicologia

Reflexões partilhadas


A propósito da eterna questão: O que é que a criança pequena faz no Psicólogo/a?! E da indignante resposta: “Sim, vai lá brincar!”. Mas não só!
Sinto que por vezes é difícil explicar a alguns familiares da criança, em consulta, ou a pessoas fora da área clínica, e fora da saúde mental como se trabalha com as crianças pequenas, na consulta de psicologia clínica e, mais concretamente, em processo terapêutico. Ouvem-se algumas vozes que dizem “mas vai lá fazer o quê?, “ela ainda não fala nem compreende bem as coisas…”; ”mas vai lá só brincar?!”; “como é que isso resolve o problema?!”, entre outras coisas.
Autores como Freud, Klein e Winnicott influenciaram e aprofundaram a construção do conceito de “brincar”, tornando-o um meio facilitador da expressão da criança. Estes autores também permitiram um olhar cuidadoso sobre a socialização da criança que se inicia na família e depois na escola. No que concerne ao terapeuta, exploraram a relação da criança com o brinquedo, os seus movimentos, as suas ações e a sua linguagem. Dali, saiu o ponto de partida para o clínico fazer o uso do “brincar”, enquanto instrumento de avaliação psicológica e veículo do processo terapêutico.

Pelo “brincar”, a criança expressa o seu mundo interno, no qual vivem os seus medos, as suas angústias, as suas emoções e sentimentos que, muitas vezes, passam despercebidos pelos adultos. É na relação com o terapeuta que este mundo emerge e ganha uma forma passível de ser trabalhado e elaborado. Este processo vai permitindo uma diminuição do sofrimento psicológico da criança. Às vezes a criança necessita de repetir “n” vezes a mesma brincadeira, até a sua maior angústia ser identificada. O terapeuta deve estar disponível e ser capaz de acolher esse mundo da criança, fornecendo ao mesmo tempo um sentimento de segurança e confiança para que a problemática central possa ser resolvida.
O processo é moroso, requer um grande investimento a variados níveis mas, é sem dúvida, muito compensatório porque implica o tratamento daquela criança/filho/aluno. No fim e através de trabalho em equipa (terapeuta, criança, pais, educadores/professores) teremos uma criança saudável e feliz, nas diferentes áreas da sua vida. Se precisar, traga o seu filho/a a “Brincar”.

Ana Sofia Oliveira
Psicóloga Especialista em Clínica e Saúde
Terapeuta EMDR

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