O IFICI

O regime do Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (IFICI) assume-se como um instrumento estratégico para reforçar a competitividade de Portugal, ao oferecer um enquadramento fiscal atrativo dirigido a profissionais altamente qualificados. Entre as principais vantagens fiscais destacam-se, por um lado, a aplicação de uma taxa especial de IRS de 20% sobre rendimentos do trabalho dependente e independentes auferidos em atividades elegíveis e, por outro, a total isenção rendimentos obtidos no estrangeiro, dependendo da sua natureza e enquadramento. Importa sublinhar que este regime não se destina apenas a estrangeiros, abrangendo igualmente portugueses, incluindo aqueles que regressam após experiência internacional, potenciando assim a captação e retenção de talento.A atracção destes profissionais representa uma oportunidade concreta para dinamizar o ecossistema de inovação nacional. Ao trazerem conhecimento técnico, redes internacionais e experiência em mercados exigentes, tornam-se catalisadores de novas ideias, processos e modelos de negócio. Este efeito multiplicador pode e deve ser aproveitado de forma estruturada.
Neste contexto, o papel do Estado poderá ir além do incentivo fiscal, promovendo a articulação entre incubadoras, universidades e entidades públicas. As chamadas “fábricas de unicórnios” e centros de inovação devem funcionar como plataformas integradas, onde se apoiam novas empresas com elevado potencial. Estas sociedades, para além de crescerem, poderiam assumir um compromisso de disseminação de boas práticas e inovação junto do tecido empresarial nacional, em particular das PME, contribuindo para elevar a produtividade global da economia.
Ao acolher estes profissionais, Portugal posiciona-se progressivamente como uma verdadeira Nação Global. Numa primeira fase, é expectável que os projetos tenham um foco doméstico; contudo, numa fase subsequente, a expansão internacional surge de forma natural. Essa expansão não ocorre apenas a partir de Portugal para o exterior. Beneficia igualmente da presença histórica e dispersa das comunidades portuguesas, que constituem uma rede económica e cultural única.
O evento “Portugal Nação Global”, a realizar nos dias 29 e 30 de abril, assume particular relevância neste contexto. Trata-se de uma oportunidade para empreendedores das comunidades portuguesas estabelecerem ligações, identificarem sinergias e promoverem a internacionalização dos seus negócios, seja para Portugal, seja para outros mercados onde existam comunidades lusas.
A cooperação entre empresários portugueses, independentemente da sua localização geográfica, pode criar uma vasta zona económica interligada. Na prática, estando portugueses presentes em múltiplos mercados, o potencial para fazer negócio globalmente é significativo. Tal exige, contudo, uma postura audaz, assente na colaboração e num verdadeiro espírito de parceria, capaz de ultrapassar fronteiras e transformar proximidade cultural em vantagem competitiva.




