Adriano Reis

Ator, Dinamizador Sociocultural, Técnico de Juventude, Contador de Histórias de Lá e de Cá

Filho de pais cabo-verdianos, nasceu em Angola por um acaso. Com apenas um ano de idade, viajou para Cabo Verde com os pais, obteve a nacionalidade cabo-verdiana. Vive atualmente em Portugal onde desenvolve uma atividade artista e cultural muito diversificada, desde a representação, contador de histórias, escrita, técnico de juventude, promovendo a integração e diálogo intercultural.

Adriano Reis iniciou a sua atividade artística entre os 17 e os 19 anos na Escola Salesiana, São Vicente e a partir daí tudo foi acontecendo naturalmente, deixando desenvolver dentro dele, aquilo que considera ser “intrínseco à minha pessoa”.

A sua carreira artística teve uma evolução progressiva, mas sobretudo, realça que foi e é “uma luta diária”. Mais do que um simples artista, é um homem polivalente.

Desenvolve atividades como Técnico da Juventude, é ator, contador de “Stória de Lá e de cá”, Palhaço Crioulo e Animador Sociocultural. É também Formador, facilitador e dinamizador de atividades educativas não-formais e atividades extracurriculares nas escolas, diretor Artístico do Aqu’Alva Stória – Encontro Internacional de Narração Oral da Lusofonia, e ainda, dirigente associativo. Considera-se “um ser humano – um cidadão do mundo que vive para melhorar o mundo pela Cultura e a Educação Intercultural”.

E é neste caminho e “diálogo intercultural” que tem vindo a trabalhar, a desenvolver a sua atividade, a educar e a promover a inclusão e integração através da diversidade cultural. Desde 2003, vive e trabalha em Portugal, transportando no coração, para onde se desloca, as suas vivências, experiências e sentimentos, dos seus países do coração.

Adriano Reis, não tem dúvidas em reconhecer que as suas raízes e influências africanas marcaram o seu percurso, o seu estilo e o seu conteúdo, considerando, no entanto, que todo o seu percurso, experiências, viagens e vivências, a partilha e interação com os outros, têm também marcado e influenciado positivamente o seu percurso artístico, seja ao nível da representação, dos contos de histórias, da escrita ou em tantas outras atividades em que se envolve.

“O meio artístico é apaixonante, mas ao mesmo tempo não é um caminho fácil, para poder alcançar o sucesso e o êxito”. Não teve um percurso fácil, pois, foi de altos e baixos, mas afirma que é necessário sobretudo, muita determinação, resiliência, paciência, tolerância, persistência, perseverança, paciência, e muito, muito trabalho.

“Aquilo a que posso chamar de sucesso no meu percurso, é fundamentalmente o resultado de muito trabalho e dedicação e uma entrega muito grande à paixão por aquilo que faço”

Assume que é extremamente importante a promoção e desenvolvimento das artes e da cultura em cada país, pois, considera ser “o alimento da alma e a identidade de cada país”. É um trabalhador independente, desenvolve projetos de “diálogo Intercultural” , em parceria e com o apoio da Direção Regional das Comunidades nos Açores e apoiado também, pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, através do Projeto de recolha oral, “Bebi na Fonti”, entre outros. Mas considera que cada país deve ter políticas públicas de apoio à cultura e aos artistas.

Confidenciou que chegou a Portugal com um grande sonho: pisar o Teatro D. Maria II, participando numa peça de teatro. Desenvolveu um percurso de vários anos enquanto ator e conseguiu cumprir o seu sonho em dezembro de 2009 com o encenador Cândido Ferreira. O seu trabalho como ator não ficou por aí e agarrou a oportunidade de subir ao palco junto de grandes encenadores portugueses e participando em diversas peças de teatro, cinema, telenovelas, séries de televisão e espaços publicitários. Em relação ao domínio da língua portuguesa, tem vindo ao longo dos anos a aprimorar e melhorar, sobretudo, ao nível da escrita, pois, ainda tem bastante vincada a influência das suas raízes africanas.

Falou-nos claro da pandemia, um período nada fácil para ninguém, mas sobretudo para os artistas, com um início de um novo ano a deixar antever que a situação ainda está para durar. Tem passado por algumas dificuldades e apesar de alguns apoios temporários da Segurança Social, que acabam por ajudar um pouco, está ansioso que tudo volte ao normal, para poder voltar ao seu ritmo de trabalho.

Para 2021, tem muitos projetos em mente para desenvolver, embora esteja receoso e com incertezas do futuro próximo face à pandemia que continua a limitar-nos na ação e na programação a médio e longo prazo. No entanto, revelou-nos alguns dos projetos que tem em cima da mesa, nomeadamente, a publicação de Brochuras de Contos e recolha da tradição oral.
Neste momento, o maior sonho de Adriano Reis, é alcançar a sua estabilidade profissional, face a esta incerteza constante por causa da pandemia, que segundo ele “tem matado um pouco os nossos sonhos”.
Para finalizar, Adriano Reis quis deixar uma pequena mensagem aos artistas do mundo, afirmando vincadamente: “Temos de ser fortes e resilientes, nos adaptar a esta nova realidade e reinventarmo-nos. É este o caminho!”.

Fica aqui o muito obrigado por parte da Descendências Magazine pela sua colaboração e partilha connosco e desejar ao Adriano Reis os maiores sucessos para o seu futuro artístico e profissional.

1 Comentário

  • Daniel Braga
    5 meses ago Publicar uma Resposta

    Excelente artigo sobre um amigo e um artista de enorme alma.

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