Lancaster College Figueira da Foz
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Professora Isabel, como descreve a missão do Lancaster College na Figueira da Foz?
Talvez a forma mais autêntica de compreender o sentido da criação do Lancaster College – Figueira da Foz resida nas palavras de Vergílio Ferreira: “Uma língua é um lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar.”
Há, nesta ideia, uma verdade profundamente humana. A língua não é apenas um instrumento que nos permite atravessar fronteiras geográficas ou comunicar com o outro; é também o lugar onde habitamos por dentro. É através dela que damos forma ao pensamento, que encontramos voz para as emoções e que reconhecemos os gestos culturais que nos ligam a uma memória coletiva. Aprender uma língua é, por isso, mais do que adquirir vocabulário ou dominar regras — é aproximar-se de novas formas de sentir, de compreender e de existir.
Foi com esta convicção que nasceu o nosso espaço de ensino e formação: um lugar onde cada percurso linguístico é também um percurso de descoberta pessoal, de encontro e de abertura ao mundo e ao outro.
Fundado em 1984, em Vila Nova de Gaia, o Lancaster College construiu, ao longo do tempo, uma história marcada pela dedicação ao ensino de línguas e pelo compromisso com a qualidade pedagógica, expandindo a sua presença através de diferentes centros no país.
No Lancaster College – Figueira da Foz, a missão traduz-se numa promessa simples e exigente: criar oportunidades para que cada estudante possa crescer, ganhar confiança e ampliar horizontes pessoais, académicos e profissionais através da comunicação. Aqui, as línguas são pontes — pontes entre culturas, entre pessoas e, muitas vezes, entre aquilo que somos e aquilo que aspiramos a ser.
Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Italiano, Mandarim, Russo, Árabe, Japonês, Norueguês, Dinamarquês, Sueco e Português, entre outras línguas, compõem o universo formativo da escola. Mais do que um conjunto de ofertas, representam caminhos possíveis de descoberta, diálogo e pertença num mundo cada vez mais interligado.

Quais têm sido os maiores desafios na gestão de um Centro Educativo numa cidade em transformação como a Figueira da Foz?
A gestão de um centro de línguas numa cidade em acelerado processo de transformação, como a Figueira da Foz, tem colocado desafios complexos e multidimensionais. O dinamismo crescente do território — visível na expansão das atividades culturais e desportivas, no desenvolvimento empresarial e portuário, bem como no reforço da investigação e da oferta formativa desde os níveis iniciais até ao ensino superior especializado — tem contribuído para uma intensificação da mobilidade humana e da diversidade sociocultural.
A emergência de áreas formativas altamente especializadas, incluindo pós-graduações em Inteligência Artificial, Computação Musical, Design de Som e Biologia Marinha, tem atraído estudantes, profissionais e investigadores de múltiplas origens geográficas. Este fenómeno traduz-se numa heterogeneidade linguística e cultural significativa, marcada pela chegada de indivíduos que, frequentemente, não possuem competências em língua portuguesa e, em alguns casos, apresentam também limitações no domínio da língua inglesa.
Neste contexto, um dos principais desafios reside na construção de condições comunicacionais que permitam uma resposta educativa célere e inclusiva.
Acresce a necessidade de desenvolver respostas pedagógicas flexíveis que conciliem a aprendizagem linguística com processos de integração social e profissional, favorecendo a capacitação rápida sem comprometer a qualidade formativa. A gestão educativa assume, assim, uma dimensão intercultural e psicossocial particularmente exigente, implicando práticas de acolhimento sensíveis à diversidade, reforço da comunicação pedagógica e criação de ambientes de aprendizagem que promovam pertença, participação e autonomia.
Deste modo, o desafio central não se circunscreve à superação de barreiras linguísticas, mas estende-se à construção de um ecossistema educativo capaz de responder à complexidade de uma cidade em mutação, onde educação, mobilidade e integração se entrelaçam de forma permanente.
A tecnologia está a transformar o ensino. Que mudanças considera mais relevantes para o futuro da aprendizagem?
A transformação do ensino desenha-se, hoje, no cruzamento entre a velocidade da inovação tecnológica e a delicadeza do humano. A presença de ferramentas como a inteligência artificial e o uso quotidiano dos telemóveis abriram portas outrora impensáveis: traduções instantâneas, percursos de aprendizagem personalizados e o acesso imediato a um universo inesgotável de conhecimento. O saber tornou-se mais próximo e, em muitos sentidos, mais democrático.
Todavia, esta abundância encerra uma ambivalência silenciosa. As mesmas ferramentas que ampliam horizontes podem, subtilmente, fragilizar o esforço, a autonomia e o prazer da descoberta. A facilidade corre o risco de se converter em dependência, e a rapidez em superficialidade. Neste cenário, o verdadeiro desafio educativo não reside apenas na integração da tecnologia, mas na preservação — e cultivo — das dimensões éticas, estéticas e relacionais que nos definem enquanto humanos: a empatia, a solidariedade, a Escuta e a capacidade de encontro com o outro.
Num tempo marcado pela aceleração constante, importa resgatar o valor da lentidão como espaço de fruição, reflexão e vínculo. Tal como sugere a obra de Milan Kundera, a velocidade pode diluir a memória e empobrecer a experiência, enquanto a pausa permite contemplar, compreender e sentir. A aprendizagem, sobretudo a aprendizagem de línguas, vive precisamente desse equilíbrio entre técnica e sensibilidade, entre acesso imediato e apropriação profunda, interior.
O futuro da educação dependerá, assim, da nossa capacidade de habitar essa tensão criadora: avançar com a tecnologia sem abdicar da profundidade, utilizar a inteligência artificial sem perder a inteligência emocional e transformar a rapidez em oportunidade, sem renunciar ao silêncio que permite escutar, compreender e aprender verdadeiramente.
O que mais a motiva, pessoalmente, no seu papel de professora e diretora executiva?
O que mais me motiva, pessoal e profundamente, no exercício das funções de professora e diretora executiva é a possibilidade de testemunhar transformações reais nas histórias de vida das pessoas. Há algo de singularmente comovente em acompanhar quem chega carregando inseguranças, receios e a sensação de que determinados sonhos — mudar de país, recomeçar a vida, encontrar novas oportunidades profissionais — pertencem a um horizonte distante ou mesmo inalcançável. E, pouco a pouco, assistir ao modo como a aprendizagem de uma língua abre caminhos onde antes existiam limites.
Esta experiência constitui o núcleo da minha motivação. Vivo-a tanto na proximidade da sala de aula como na responsabilidade da direção: partilho a preocupação de quem chega sem conseguir expressar necessidades essenciais — ir ao médico, tratar de assuntos nas finanças, falar num banco ou matricular os filhos na escola — e partilho, mais tarde, a alegria serena da descoberta. A descoberta de novas palavras, da capacidade de comunicar, da confiança que cresce quase impercetivelmente e que, num curto espaço de tempo, se transforma em autonomia.
É profundamente tocante observar esse processo de afirmação e de autonomização pessoal que a língua possibilita: o momento em que a pessoa deixa de se sentir dependente e passa a agir, a decidir e a participar com segurança no mundo que a rodeia. A motivação prolonga-se também para além do tempo de formação, quando chegam notícias de antigos alunos que encontraram o seu lugar e a sua realização noutros países — na Alemanha, no Luxemburgo, na Bélgica. Nessas mensagens reconhece-se que a aprendizagem de uma língua não foi apenas um percurso académico, mas uma verdadeira travessia em direção à concretização de um sonho.
De que forma o Lancaster College tem adaptado a sua oferta formativa às necessidades do mercado de trabalho atual?
O Lancaster College- Figueira da Foz tem procurado adaptar a sua oferta formativa de forma dinâmica e alinhada com as exigências do mercado de trabalho. Essa adaptação poderá ser observada em dois exemplos :
Em primeiro lugar, mantemos uma forte flexibilidade na conceção de cursos, estando disponíveis para desenvolver programas formativos ajustados a diferentes áreas profissionais e académicas. Um exemplo disso é a criação de formações específicas para áreas especializadas, como a medicina dentária ou a estética e formações em áreas como a comunicação ou literacia emocional, garantindo que os conteúdos linguísticos e comunicacionais respondem às necessidades reais do exercício profissional de par com o desenvolvimento pessoal.
Em segundo lugar, investimos na preparação das gerações mais jovens, através do desenvolvimento de projetos inovadores de ensino precoce de línguas. Destacam-se iniciativas como os workshops de inglês criativo, que promovem a aprendizagem de forma lúdica e significativa, contribuindo para que a competência plurilingue se torne uma capacidade natural desde a infância.
Desta forma, o Lancaster College procura simultaneamente responder às necessidades imediatas do mercado e antecipar desafios futuros, promovendo competências linguísticas essenciais num mundo multicultural.

Que papel desempenham os professores na construção da identidade e reputação do Centro?
Os professores constituem a essência viva do Centro e o alicerce mais sólido da sua identidade e reputação. Mais do que transmissores de conteúdos, são mediadores de experiências, pontes entre culturas e presenças determinantes na forma como a escola é sentida, vivida e recordada. Sem eles, a instituição seria apenas um espaço físico desprovido de alma, incapaz de gerar a confiança, a proximidade e o reconhecimento que a distinguem.
A seleção do corpo docente procura, por isso, refletir não apenas a competência linguística, mas também a autenticidade cultural. Valorizam-se professores nativos, luso-descendentes, pessoas com histórias familiares marcadas pela emigração — realidade profundamente enraizada na sociedade portuguesa — ou que tenham vivido e estudado no país da língua que ensinam. Estas trajetórias conferem densidade às aprendizagens, permitindo que a língua seja apresentada como experiência vivida e não apenas como sistema de regras.
Contudo, é na dimensão humana que reside o verdadeiro traço distintivo. A capacidade de olhar cada aluno com proximidade, empatia e respeito transforma a sala de aula num espaço de confiança e pertença. Os professores cultivam relações que ultrapassam a formalidade pedagógica, promovendo cumplicidades, escuta e partilha, elementos essenciais para que a aprendizagem se torne significativa.
Deste modo, o Lancaster College afirma-se não apenas como um local de aquisição de competências linguísticas, mas como um território de encontros humanos e culturais. Nele cruzam-se histórias de vida, constroem-se projetos de futuro e desenvolve-se a capacidade de habitar simultaneamente diferentes universos culturais. Os professores, pela sua presença e pelo vínculo que constroem com os alunos, são os principais responsáveis por esta identidade plural e acolhedora.
Que conselho daria a quem está a ponderar iniciar agora a aprendizagem de uma nova língua?
O melhor conselho é praticar de forma consistente, comunicar sem medo e integrar a língua na vida quotidiana. O sucesso depende sobretudo da motivação, do contacto significativo e da persistência — não da idade ou do “talento”. Como a motivação é o principal preditor de persistência é decisivo definir um objetivo concreto e pessoal para manter a motivação e orientar o estudo; praticar diariamente, mesmo que por períodos curtos, privilegiando a regularidade; falar desde o início, sem medo de errar, valorizando a comunicação acima da perfeição e expor-se à língua em vários formatos tais como música, séries, podcasts, leitura e aplicações.
A AILD está a criar uma rede internacional de pessoas que se vão poder interligar e colaborar entre si. Como vê este projeto e quais as vossas expectativas?
A criação de uma rede internacional promovida pela AILD representa um projeto de elevado alcance humano, cultural e identitário. Ao interligar luso-descendentes dispersos por diferentes geografias, esta iniciativa tem o potencial de transformar a distância em proximidade simbólica, fortalecendo sentimentos de pertença, continuidade cultural e cooperação entre comunidades que partilham raízes comuns.
Vemos este projeto como um espaço vivo de encontro, partilha e construção coletiva, onde trajetórias migratórias, experiências interculturais e projetos de futuro se cruzam de forma enriquecedora. Tal rede poderá potenciar colaborações educativas, culturais e profissionais, ao mesmo tempo que preserva e valoriza a língua portuguesa como elemento agregador e veículo de memória, identidade e inovação.
As nossas expectativas centram-se na criação de pontes duradouras entre pessoas, instituições e gerações, capazes de gerar oportunidades de aprendizagem mútua, mobilidade e desenvolvimento de iniciativas conjuntas, a nível cultural e empresarial. Acreditamos que esta rede poderá também reforçar a visibilidade do capital humano das comunidades luso-descendentes.

Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos atuais e futuros alunos do Lancaster College- Figueira da Foz?
Aos nossos alunos e àqueles que ainda virão estudar connosco — deixo uma certeza: a educação que estão a construir não é apenas um conjunto de conhecimentos, é uma transformação profunda daquilo que são e daquilo que podem vir a ser.
Aprender uma nova língua, enfrentar desafios de aprendizagem não é um caminho fácil. Haverá dúvidas, momentos de frustração e a sensação de que o progresso é lento. Mas é precisamente nesses momentos que o crescimento acontece. Cada tentativa é um passo silencioso em direção a novas oportunidades, novas culturas e novas versões de si próprios. O verdadeiro valor da aprendizagem está sobretudo na confiança que constroem, na autonomia que desenvolvem e na capacidade de comunicar com o mundo para além das fronteiras conhecidas.






