Tabagismo e Cessação Tabágica

O tabagismo é um grave problema de saúde pública, responsável por elevada morbilidade e mortalidade, sendo a principal causa evitável de doença e de morte prematura. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o consumo do tabaco é uma epidemia global e matará mais de 8 milhões de pessoas por ano até 2030. Ao longo do século XXI o consumo do tabaco poderá matar até mil milhões de pessoas, a não ser que sejam tomadas medidas urgentes de prevenção, de tratamento e medidas legislativas para travar o consumo a par de medidas reguladoras da indústria do tabaco. Fumar afeta praticamente todo o organismo humano, com destaque para o cancro, doenças respiratórias crónicas e doenças cérebro-cardiovasculares pelo que os fumadores vivem em média menos dez anos do que os não fumadores. É crucial alertar para qualquer meio de consumo de nicotina, seja através de cigarros convencionais, de enrolar, eletrónicos, cigarrilhas, charutos ou cachimbos como extremamente nocivo para a saúde. “A única forma segura de fumar é não fumar” foi o mote de uma das campanhas da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. Para um fumador a cessação tabágica é a única forma de evitar os malefícios do tabagismo. A dependência do tabaco é considerada uma doença crónica, estando em causa mais de 4 mil substâncias diferentes, e assim, as consultas para deixar de fumar são multidisciplinares e associam o aconselhamento ao apoio comportamental e psicológico, com o tratamento farmacológico.


Ainda que as propriedades psico aditivas da nicotina tornem a cessação difícil, mas possível e em qualquer que seja a idade do fumador, é de realçar o facto de haver sempre vários benefícios imediatos e substanciais para a saúde, sendo tanto maiores quanto mais cedo for tomada a decisão. Nunca é tarde para deixar de fumar! Os benefícios de deixar de fumar começam 20 minutos após o último consumo de tabaco, 10 anos depois o risco de cancro do pulmão é igual ao de um não fumador e 15 anos depois o risco de doença cardiovascular é também igual ao de um não fumador, enquanto que as consequências mais graves podem só se manifestar 20 a 30 anos depois do início do consumo de tabaco.
A prevenção do tabagismo é fundamental em todos os grupos etários e deve começar nas crianças. O tabagismo passivo tem que ser reconhecido como elemento importante na prevenção, uma vez que a magnitude da poluição a que ficam sujeitos os fumadores passivos, tem repercussões nocivas, particularmente, respiratórias e cardiovasculares e de risco significativo para o cancro do pulmão. Particular atenção deve ser dada à exposição de bebés e de crianças ao fumo ambiental do tabaco em casa ou no carro, que apresentam prevalências muito preocupantes.
É muito desafiante reduzir a prevalência do consumo de tabaco. Para tal, é necessário investir em várias vertentes com a implementação de medidas concretas nomeadamente de limitação do acesso aos produtos de tabaco e aos novos produtos com nicotina, aos cigarros eletrónicos, aumentar impostos sobre o tabaco, promover campanhas de consciencialização sobre os malefícios do tabaco, proporcionar e aumentar o acesso a consultas de cessação tabágica com apoio farmacológico, de forma significativa e impactante no tabagismo.


Se as consequências do tabagismo na saúde pública são bem conhecidas, o mesmo não podemos dizer sobre as consequências ambientais pelas quais a indústria do tabaco é responsável, mas que ainda não são tão conhecidas. Os produtos do tabaco são causadores, ao longo de todo o seu ciclo de vida, de degradação ambiental, do envenenamento da água, do ar e do solo com produtos químicos e contaminação de microplásticos, factos estes muitas vezes minimizados, manipulados ou mesmo ignorados.
O consumo de tabaco não é muitas vezes percecionado pela população em geral, como um grave fator de risco para a saúde, pelo que é fundamental campanhas públicas inovadoras de informação, de prevenção e de controlo do tabagismo.
O dia 31 de maio foi definido pela OMS, em 1987, como o Dia Mundial Sem Tabaco e por resolução do Conselho de Ministros em Portugal, o dia 17 de novembro como o Dia Nacional do Não Fumador. Assinalemos estes dias, reforçando a importância da prevenção e do abandono do consumo e com particular foco a proteção das crianças.
Se não fuma, escolha uma vida saudável e não comece a fumar!
Se fuma, aceite o desafio e deixe de fumar!
O tabagismo é tratável!

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