Mensagem da Presidente da AILD

Portugal Nação Global – Valorizar a diáspora para desenvolver os territórios

Os territórios portugueses enfrentam hoje um grande desafio: como atrair investimento, fixar talento e criar oportunidades num contexto cada vez mais competitivo e global? Para muitos municípios e comunidades intermunicipais, sobretudo fora dos grandes centros, esta é uma questão decisiva com implicações no seu futuro.

Neste contexto, importa reconhecer um ativo estratégico que continua subaproveitado: as comunidades portuguesas na diáspora.

Presentes em múltiplos países, os portugueses e lusodescendentes mantêm, em muitos casos, uma ligação ativa e afetiva aos seus territórios de origem. Conhecem realidades económicas distintas, integram redes profissionais relevantes e podem desempenhar um papel fundamental na criação de pontes entre os territórios e os mercados internacionais.

É este o propósito do Portugal Nação Global, criar um espaço económico exclusivo e inclusivo entre as nossas comunidades espalhadas pelo mundo, potenciando a promoção e atração de investimento. Para os municípios e comunidades intermunicipais, esta realidade representa uma oportunidade concreta. A diáspora pode contribuir para a atração de investimento, para a internacionalização do tecido económico local e para a valorização dos recursos endógenos. Pode, sobretudo, ajudar a posicionar os territórios num espaço económico mais alargado, ultrapassando as limitações do mercado interno.

As comunidades intermunicipais e os municípios estão numa posição privilegiada para liderar este processo. Pela sua proximidade ao tecido empresarial, às instituições locais e às pessoas, podem assumir-se como facilitadores de ligações entre os territórios e as redes da diáspora. Podem criar condições para identificar oportunidades, promover parcerias e apoiar iniciativas com impacto económico real.

O desafio passa por transformar relações de proximidade em dinâmicas estruturadas de desenvolvimento, sobretudo neste momento, em que as cadeias de abastecimento e de produção estão a ajustar-se geoestrategicamente. Isso implica investir em redes, criar mecanismos de ligação eficazes e integrar a diáspora nas estratégias territoriais de crescimento.

Portugal tem, nos seus territórios e na sua vasta presença global, nos 5 continentes, uma combinação geoestratégica única. Se conseguirmos articular estes dois níveis — local e internacional — estaremos a reforçar a competitividade dos nossos territórios e a criar novas oportunidades para as comunidades.

Valorizar a diáspora não é apenas reconhecer a sua importância. É mobilizá-la, de forma estratégica, para construir um desenvolvimento territorial mais dinâmico, mais sustentável e mais conectado ao mundo. Por isso afirmo e continuarei a afirmar, “os lusodescendentes não são apenas uma extensão da diáspora portuguesa, são o ativo mais valioso que Portugal tem”.

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