Xaile Preto, Capas Negras e uma Guitarra
Fado – nasceu para guardar e proteger a Alma Lusitana. Acontece, que não existe uma Certidão de Nascimento. Horário, Data, Local e Nome de quem o inventou, escreveu, tocou ou cantou revelaram-se um Enigma da História do Fado. Porém – como conhecia a solidão escolheu a Guitarra Portuguesa como sua Eterna Companheira. Um Amor, que brilha na esfera do Xaile Preto e das Capas Negras. Mesmo em Tempos Modernos e por vezes com diferentes composições musicais a vida escolheu Rainha Lisboa e Coimbra do Saber para sempre como Guardiãs do Fado, símbolo da Identidade Lusitana

O Filme “Capas Negras”, realizado em 1947 por Armando de Miranda, reuniu Lisboa e Coimbra – o Xaile Preto da Saudade, eternizado por a grande diva Amália Rodrigues, e Capas Negras do Saber, protagonizadas na personalidade de Alberto Ribeiro. Um grande drama que na altura bateu todos os recordes de exibição e revelou-se com 22 semanas de cartaz um verdadeiro sucesso do Filme Português.
Talvez soa estranho – mas como a própria letra diz “Estranha forma de Vida” – fundamentou a aliança entre Saudade e Saber. Porém – a Sabedoria e a Vida escrevem por vezes as melhores Histórias da Humanidade, para não dizer do mundo. Não esquecendo as duas vozes, como não existem outras iguais, acompanhadas da guitarra, que encantaram e conquistaram o público.
O Filme, apesar de não contar a História da Lusitana Canção, realça, o enigma da origem, que deu origem ao grande cinema. Em 2011 a UNESCO elegeu o Fado como Património Imaterial da Humanidade. Eleição que descreve o inerente conteúdo da palavra: “fatum” latim, que significa “Destino”. O Fatalismo caminhou com a Saudade para oferecer na Escuridão da Noite a Beleza e Tristeza da Sabedoria da Vida. No entanto suas origens desconhecidas, apesar de existirem muitas teorias, que recuam até ao tempo dos mouros e árabes e “saltam” do continente europeu para Brasil e Angola, escolheram a sua própria teoria: remetem o seu nascimento para a data após 1840 no contexto social da marginalidade dos bairros populares de Lisboa – Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa. Origens, que de início levaram à sua condenação e rejeição por parte da sociedade, igreja e intelectualidade. O famoso quadro “O Fado” (1910) de José Malhoa retrata a origem marginal e o fatalismo. Um exemplo, que faz a contemplação do espetador recuar no tempo e quase como espreitar por as “Janelas da Casa da Mariquinhas” e viver a emoção da Alma da Identidade Portuguesa. Acontece, que o seu valor musical deixou a marginalização e caminhou para as Serenatas dos Estudantes de Coimbra e os Salões da Nobreza – conquistou Portugal para ser sua Alma. O estilo Castiço, o mais tradicional, e o Boémio, dedicado à esfera como a própria palavra diz “boémia”, começaram a reunir a História e Cultura Lusitana. Não existe somente um estilo, mas sim diferenciadas apresentações: Fado de Lisboa, Coimbra, Vadio, Marinheiro, Corrido e Menor, somente para mencionar um pequeno extrato da exclusiva coleção de estilos. Interessante é o fato, que o Fado Marinheiro é considerado o mais antigo e o fundamento para o futuro:
“Fado Marinheiro
Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
…..
Vendo terra pela proa,
Grita alegre pela gávea:
Terras, terras de Lisboa.”
Conta a História, que Maria Severa Onofriana (Anjos – 26 de julho de 1820 – Socorro – 30 de novembro de 1846), amante do Conde de Vimioso, foi a primeira cantadeira de Fado. Trágica vida que se adapta bem ao fatalismo e à saudade. Saudade que decidiu dar a volta ao mundo. A projeção nacional para a internacional aconteceu com a Fadista Ercília Costa (Costa da Caparica – 3 de agosto de 1902 – Algés – 16 de novembro de 1985).
Mas foi na voz e na personalidade da diva Amália Rodrigues que o Fado com o seu Xaile Preto, Capas Negras e a Guitarra Portuguesa floriu o Roseiral das Fadistas e dos Fadistas da Alma Lusitana. Com letras de grandes poetas, elegante, literário, músicas sofisticadas e nobre apresentação ultrapassou a rejeição de outrora para hoje ser a beleza cantada perante uma Altar, nos famosos palcos nacionais e internacionais, nas casas de fado, do cinema ao teatro até à Serenata dos estudantes à porta do Mosteiro da Sé Velha. Conceituadas e conceituados Fadistas e Guitarristas oferecem vida ao Património Cultural sem outro igual, a fim de continuarem um legado, que caminha para um Futuro talvez tão desconhecido como sua origem. Porém – com uma certeza: enquanto existirem vozes e uma guitarra o Fado continuará a viver e a encantar o mundo.
Com Xaile Preto / Capa Negra e uma Guitarra – silêncio, canta-se o Fado.
Boa Viagem.
Jornalístico Crossover – Quem pretender “colecionar” mais “Literárias Rosas” para o “Ramo da Vida”, aceite o convite para conhecer as Rosas Mensageiras ou de Recordação no Jornal Noticias de Fátima: “Rosas para Nossa Senhora do Rosário”. Boa Viagem.



