Obra de Capa
Exercício 6 monalisante:
E iniciamos a sexta instalação monalisante com a ideia de infinita variabilidade de processos e atitudes que o artista, soberano mestre, pode desencadear. Talvez a palavra infinito nos transporte para um reino demasiado teológico ou sobrenatural, de abscônditas forças que se elevam e configuram um sublime demasiado potente para olhos humanos. Por isso, em vez de infinitude, escrevamos ilimitado. Voltemos a repetir: e iniciamos a sexta instalação monalisante com a ideia de ilimitada variabilidade de processos… Assim nos parece mais certeiro. Não sendo um demiurgo, Casimiro também não é um simples artesão que maneja as formas e vai aplicando simples variações nas imagens de que se vai apoderando. É, antes, um agente intermediário, colocado entre estas duas posições, aplicando na repetição artesanal, a ilimitada programação artística, inovada e despoletada pela sua capacidade de (re)criar. Talvez esta frase não precise de repetição, talvez esteja já limada o suficiente para dar a entender que se ao escritor a repetição pode ser sinal de um mau gosto ou de uma reprodução automática e estéril de alguém que esgotou os tópicos de escrita, no agente casimiriano é sinal de uma fecundidade reprodutora de variabilidade.
Estas linhas ondulantes ou serpenteantes que se vão movimentando ao longo do plano de representação, são intencionais linhas de envolvimento da variante inesgotável do artista. Nesta fluidez hipnótica, quase como um devaneio colorista que se apodera das cores baças do original, existe uma provocação de um encantamento insólito ou se quisermos excêntrico, pois completamente despropositado quando pensado à luz do limitante pensamento do original intocável. A obra original foi feita para ser cortada, trinchada, excisada, esquartejada, manipulada e retocada, estando à mercê da soberania da apropriação do agente estruturador. Esta definição quase que podia ser entendida para as acções de um açougueiro, mas enquanto o cortador da carne simplifica os seus processos de forma a explorar as maneiras mais optimizadas para uma funcionalidade específica, o artista Casimiro, quando actua na carne da imagem, não só não a delimita como acrescenta planos de ilimitados sentidos.
Rodrigo Magalhães
O autor não aderiu ao novo acordo ortográfico

Rodrigo Magalhães
Rodrigo Magalhães. Nasceu em 1993. Doutorado em História da Arte. Colaborador mensal no jornal As Artes Entre As Letras, colaborador da ArteCapital. Participa em revistas e catálogos de Arte e exerce trabalho de curadoria. Os interesses de investigação ancoram-se na História da Arte, nomeadamente na análise e historiografia de tendências, movimentos e desenvolvimentos estéticos da arte contemporânea, desdobrando-se consequentemente numa ramificação com outras vertentes artísticas como a literatura, o cinema, a música, dando expressão à capacidade polivalente da arte no período contemporâneo.






