Lisboa, Rainha Menina

Capital de Portugal conta seu Fado

Lisboa – será sempre Menina, porque não casou com Paris. O Tejo abraça a capital de Portugal como se fosse o Xaile Preto da Saudade, enquanto São Jorge, situado na mais alta das 7 colinas da cidade, protege a sua Rainha. Santo António, Padroeiro de Lisboa, também é o Santo Casamenteiro. Porém, Menina para sempre, porque ama seu Fado, que começou a ser escrito longo tempo atrás nas muitas páginas do Livro da História. Silêncio – ao som da Guitarra Portuguesa, canta-se o Fado de Lisboa.

Lisboa – se as Sete Colinas soubessem falar, muito sabiam para contar. É considerada uma das cidades mais antigas do Mundo e outrora das mais importantes de Lusitânia. Seu nome conhece suas origens no tempo dos Fenícios, “Alis Ubbo” (“porto seguro”), por volta de 1200 a. C., dos Romanos, “Olissipo”, e da ocupação árabe, “Al-Ushbuna”. Ao longo do tempo foi adaptado até chegar ao conhecido nome.
1755 após o terramoto renasceu literalmente como Fénix das cinzas. O grande Marquês de Pombal (1699 – 1782), assim como o militar, engenheiro e arquiteto húngaro Carlos Mardel (1695 – 1763), um dos principais autores do Aqueduto das Águas Livres, desenharam e reconstruíram a eterna cidade. Encanta com a sua beleza e homenageia, quem lhe quer bem. No Panteão resguarda os seus heróis, na Ponte 25 de Abril esconde o nome do Ditador, António Salazar, símbolo de um novo rumo que com a Revolução dos Cravos escolheu para o país, nas ruínas do Convento do Carmo realça o testemunho do na altura de 1755 pensado “fim do mundo” e o humor em obras, que parecem infinitas (“Obras de Santa Engrácia”), como foi o caso da Igreja da Santa Engrácia, cuja construção levou, desde a primeira pedra em 1682 até à sua finalização em 1966, quase 300 anos. No entanto, a 29 de abril de 1916 foi atribuído a função de Panteão Nacional – mais alta condecoração monumental não seria possível. Do Mosteiro dos Jerónimos (Durante o reinado de D. Manuel I, no dia 6 de janeiro de 1501, começou sua construção.), ao MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia – Inauguração a 5 de outubro de 2016), dos Coliseus (Coliseu dos Recreios em Lisboa – Inauguração a 14 de agosto 1890; Coliseu do Porto/ Porto Ageas – Inauguração a 19 de dezembro de 1941) à MEO-Arena (outrora EXPO 98 – Pavilhão da Utopia), da Torre de Belém (concluída em 1520), outrora uma fortificação de defesa, à Torre Vasco da Gama (EXPO 98), atração turística, é possível ler sobre a evolução da Cidade na direção de tempos modernos … evidentemente longe do contexto apresentado no filme de Charlie Chaplin.
Somente uma nuance da História de Lisboa. E a Rainha Menina com seu Xaile Preto traçado e sua Guitarra Portuguesa canta nas Casas de Fado da Saudade e no Verão calça as Chinelas para dançar nas Marchas Populares. Quando as luzes brilham ao desafio com as Estrelas, deliciando um Pastel de Belém passeia até ao Terreiro do Paço (início 1498 sob o reinado de D. Manuel I, reconstrução após 1755 e inauguração em 1775), senta-se à beira mar e começa a contemplar de um lado sua histórica cidade e do outro a linha do horizonte onde os navegadores sonhavam conquistar novos Mundos. Novos mundos encontraram o que deu origem a receber o título “Rainha do Mar”, porque começou a ser um dos maiores portos do mundo, que iniciou a globalização e recebia de terras longínquas deslumbrantes riquezas. Verdadeiros sonhos.
Sonhos – procurou a Gare de Santa Apolónia (inaugurada em 1865), que durante os anos 1960/70 foi a plataforma do maior Êxodo da Emigração Portuguesa, que levavam na célebre “Mala de Cartão” esperança e coragem, como outrora os descobridores de novas terras. Em frente à estação encontra-se o monumento dedicado aos emigrantes (obra de Dorita Castelo-Branco)(inauguração 1981), que também se revelaram/am embaixadores de nossa cultura e história.
Seu olhar recua até ao primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que em 1147 conquistou o Castelo de São Jorge (Santo Padroeiro dos cavaleiros e dos cruzados) aos mouros. Uma nova página se virou. Reconhece, que é uma cidade não somente de rosas, mas sim também com espinhos. Sorrisos e lágrimas. Viu o Regicídio (1908 – Rua do Arsenal) do rei D. Carlos I e do Príncipe Real, Luís Filipe, e recorda, que foi na mesma rua, onde em 1974 durante a Revolução do 25 de abril, que a Coluna (Escola Prática de Cavalaria) do eterno Capitão Salgueiro Maia enfrentou as forças leais ao regime, o Regimento de Cavalaria 7. Muitas preces ouviu e muitas pronunciou. Conheceu e conhece desafios, derrotas e vitórias. Mas jamais se deixou vencer ou ceder ao mal para perder a coragem de caminhar.
Sob o céu estrelado contempla a Basílica da Estrela (Construída após um voto de D. Maria I e D. Pedro III – conheceu seu início em 1779.) e revê-se nas figuras alegóricas de Fé, Devoção, Liberalidade (Generosidade) e Gratidão. No entanto, uma pequena lágrima de saudade viaja para os “Quatro cantos do Mundo”, onde se encontram Almas Portuguesas. Descreve sua cidade como lusitana, mas também como cosmopolita. Porém, passeando na sua capital, no silêncio da noite ouvindo as ondas do mar contarem suas histórias, o coração da Rainha Menina Lisboa canta para o mundo seu Fado de Lisboa, que será sempre de Portugal.
Boa Viagem.



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