M Maison Particulière
Empresa associada do mês

Uma marca não surge apenas de uma ideia: nasce de uma visão, de um gesto fundador, de uma necessidade real de criar algo que ainda não existia. No caso da M Maison Particulière, qual foi o momento zero — o instante em que propósito, estética e ambição se encontraram para dar origem ao projeto?
O início da M Maison Particulière foi um projeto profundamente pessoal, nascido da paixão que partilho com a minha mãe pela história, pelas viagens e pela arte de bem receber. Tudo começou quando encontrei um edifício do século XVI, no Largo de São Domingos, em pleno centro histórico do Porto. Apesar do seu enorme valor patrimonial, o imóvel encontrava-se bastante degradado. Em vez de o transformar num hotel convencional, imaginamos uma casa onde os hóspedes se sentissem convidados de uma residência privada, um espaço onde a exclusividade, a autenticidade e a hospitalidade fossem vividas de forma genuína. A concretização desta visão só foi possível graças ao envolvimento da minha mãe, Maria Irene Schultze. Embora tivesse desenvolvido a sua carreira na área da gestão de empresas, sempre revelou um enorme talento para a decoração e um olhar muito apurado para antiguidades, obras de arte e peças que foi reunindo ao longo das suas viagens. Tornou-se a principal investidora do projeto e assumiu a direção criativa dos interiores, dando à casa uma identidade muito própria.

O processo de recuperação foi longo e exigente, prolongando-se por cinco anos. Durante a reabilitação, fizemos questão de preservar e valorizar tudo o que contava a história do edifício, desde os tetos trabalhados aos estuques, pinturas murais, painéis de azulejos dos séculos XVII e XVIII e outros elementos originais que foram sendo descobertos ao longo das obras. Nunca quisemos esconder o passado; pelo contrário, fizemos dele a verdadeira identidade da casa. Quando abrimos portas, a 1 de março de 2016, apresentámos um conceito pouco comum em Portugal: uma casa com apenas dez suites, que gostamos de descrever como um “hotel à porta fechada”. A inspiração surgiu nos “hôtel particulier” franceses, antigas residências senhoriais privadas onde a exclusividade, a privacidade e o serviço personalizado são mais importantes do que a dimensão. O “M” do nome é uma homenagem a Maria, minha mãe e Marco, mas simboliza também o caráter familiar deste projeto. Desde o primeiro dia, nunca tivemos a ambição de criar apenas um hotel de luxo. O objetivo, que sempre partilhei com a minha mãe, foi construir uma casa com alma, onde cada objeto tivesse uma história, cada quarto uma personalidade própria e cada hóspede sentisse que estava a entrar na casa de uma família apaixonada pela hospitalidade. Esse espírito continua a definir a M Maison Particulière e permanece, até hoje, um dos traços mais distintivos da experiência que procuramos proporcionar.
Como descrevem o conceito “mais do que um boutique hotel, uma casa de família” e de que forma isso se traduz na experiência diária do hóspede?
Nunca quisemos que a M Maison Particulière fosse apenas um hotel. Desde o início, o sonho que partilhei com a minha mãe foi criar um lugar onde a arte de bem receber fosse genuína, onde cada espaço tivesse uma história para contar e onde cada hóspede fosse recebido como um verdadeiro convidado da nossa casa. Mais do que um boutique hotel, quisemos criar uma casa de família, um espaço com alma, onde a hospitalidade, a autenticidade e a atenção ao detalhe fazem com que cada estadia seja vivida de forma única e pessoal.
Que elementos históricos da casa do século XVI quiseram preservar e como os combinaram com o conforto e as exigências de um hotel de cinco estrelas?
Um dos princípios que definimos desde o início foi não apagar a história deste edifício, mas fazê-la dialogar com o conforto contemporâneo. Durante todo o processo de reabilitação, eu e a minha mãe procurámos preservar os elementos que testemunham quase cinco séculos de história, integrando-os de forma discreta com todas as exigências de um hotel de cinco estrelas. Fizemos questão de manter as paredes originais em granito, tão características da arquitetura portuense, restaurar cuidadosamente os tetos de madeira trabalhada e os estuques decorativos, recuperar os painéis de azulejos dos séculos XVII e XVIII que foram sendo descobertos durante as obras, bem como preservar as escadarias, as cantarias e outros elementos estruturais que fazem parte da memória arquitetónica da casa. Também respeitámos a configuração original do edifício do século XVI, mantendo as suas proporções e a atmosfera própria de uma antiga residência senhorial.
Em vez de recriar um ambiente histórico, optámos por uma abordagem contemporânea, elegante e intemporal. O mobiliário combina antiguidades, peças da nossa coleção, obras de arte e design atual, criando um equilíbrio harmonioso entre património e conforto. Ao mesmo tempo, equipámos a casa com todas as comodidades esperadas num hotel de cinco estrelas, desde quartos insonorizados e climatizados a casas de banho em mármore, camas de elevada qualidade, tecnologia discreta, iluminação cuidadosamente estudada e um
serviço altamente personalizado. O maior desafio foi fazer com que toda essa modernidade permanecesse praticamente invisível, permitindo que a arquitetura histórica continuasse a ser a verdadeira protagonista e que os hóspedes sentissem a autenticidade da casa sem abdicar do conforto contemporâneo.
A curadoria artística é central no vosso posicionamento. Como escolhem as peças e que papel desejam que a arte desempenhe na estadia?
A arte faz parte da identidade da M Maison Particulière desde o primeiro dia. Nunca a encaramos como um simples elemento decorativo, mas como uma extensão da nossa história, da nossa personalidade e da forma como recebemos quem nos visita. Grande parte das peças pertence à coleção pessoal da minha família, construída ao longo de muitos anos através de viagens, visitas a antiquários, galerias e encontros que criaram uma ligação emocional com cada objeto. Cada obra foi escolhida pelo seu caráter, pela sua autenticidade e pela forma como dialoga naturalmente com a arquitetura da casa. Nunca quisemos transformar a M Maison Particulière numa galeria de arte. O nosso objetivo sempre foi criar um ambiente onde a arte fosse descoberta de forma espontânea, como acontece numa verdadeira residência privada. Gostamos que os hóspedes encontrem uma pintura, uma escultura ou uma peça de design de forma inesperada, convivendo com elas ao longo da estadia, observando os detalhes e estabelecendo uma relação muito pessoal com cada espaço. Acredito que a arte tem a capacidade de tornar cada estadia mais rica e memorável. Acrescenta profundidade à experiência, desperta curiosidade, convida à contemplação e reforça a autenticidade da casa. No fundo, permite-nos concretizar aquilo que sempre foi o propósito da M Maison Particulière: oferecer muito mais do que um lugar para dormir, proporcionando uma experiência cultural, sensorial e profundamente pessoal, onde cada detalhe contribui para que os hóspedes se sintam verdadeiramente em casa.
A gestão mãe‑e‑filho é um traço distintivo. Que vantagens e desafios este modelo familiar traz à operação e ao serviço personalizado?
Gerir a M Maison Particulière em conjunto com a minha mãe significa tomar todas as decisões com uma visão de longo prazo e um envolvimento profundamente pessoal. Não vejo este projeto apenas como um hotel; vejo-o como uma casa que representa a nossa história, os nossos valores e a forma como entendemos a hospitalidade. Essa proximidade permite-nos acompanhar o dia a dia da operação, conhecer muitos dos nossos hóspedes pelo nome e adaptar a experiência às suas preferências de forma genuína e natural. Cada um de nós contribui com competências muito próprias. A minha mãe tem uma sensibilidade extraordinária para a decoração, a arte e todos os detalhes que dão identidade à casa. Eu concentro-me sobretudo na experiência do hóspede, na operação e na forma como podemos oferecer um serviço discreto, personalizado e consistente. Acredito que esta complementaridade é uma das maiores forças da M Maison Particulière e um dos fatores que a tornam verdadeiramente única. Naturalmente, trabalhar em família também implica desafios. Como acontece em qualquer empresa familiar, é essencial saber equilibrar a relação pessoal com as responsabilidades profissionais. Ao longo dos anos, aprendemos a respeitar as áreas de decisão de cada um e a transformar diferentes perspetivas numa mais-valia para o projeto. Penso que os hóspedes sentem essa autenticidade desde o momento em que entram na casa. Percebem que os proprietários estão verdadeiramente envolvidos, que as decisões são tomadas com dedicação e que cada detalhe reflete um compromisso genuíno com a excelência. Talvez seja precisamente essa proximidade que faz com que muitos dos nossos hóspedes regressem não apenas a um hotel, mas a uma casa onde sabem que serão sempre recebidos de forma pessoal e calorosa.
Com apenas 10 suites, como equilibram exclusividade, ocupação e rentabilidade sem comprometer a privacidade e a atenção ao detalhe?
Desde o início, nunca quisemos crescer em número de quartos. As 10 suites fazem parte da essência do projeto e permitem-nos oferecer uma experiência que seria difícil replicar numa unidade de maior dimensão. A exclusividade não é uma consequência da dimensão; é uma escolha estratégica. Naturalmente, isso exige uma gestão muito rigorosa. O nosso foco não está em maximizar a ocupação a qualquer custo, mas em atrair hóspedes que valorizam privacidade, autenticidade e um serviço altamente personalizado. Preferimos privilegiar a qualidade da experiência e o valor percebido, em vez de competir pelo volume. Uma operação desta escala permite-nos conhecer verdadeiramente os nossos hóspedes, antecipar preferências e dedicar tempo a pequenos gestos que fazem a diferença. É esse nível de atenção ao detalhe que justifica o nosso posicionamento e cria uma relação de confiança que se traduz numa elevada taxa de recomendação e de repetição.
A rentabilidade resulta, por isso, de um equilíbrio entre exclusividade, serviço e valor acrescentado, e não apenas da taxa de ocupação. Quando conseguimos proporcionar uma experiência memorável, os hóspedes regressam, recomendam a casa e reconhecem o valor de um hotel onde a privacidade, a tranquilidade e o cuidado personalizado continuam a ser verdadeiros luxos.
Estão situados no coração do centro histórico, Património Mundial da UNESCO. Como integram a vizinhança e a cultura local no vosso “M Experience”?
Estar no coração do centro histórico do Porto é muito mais do que uma localização privilegiada; para nós, é uma parte essencial da experiência que queremos proporcionar a quem nos visita. Acredito que a verdadeira essência de um destino não se descobre apenas através dos monumentos, mas caminhando pelas suas ruas, conhecendo as pessoas, entrando nas lojas históricas, visitando galerias, provando a gastronomia local e vivendo o ritmo autêntico da cidade.
É precisamente dessa ligação ao Porto que nasce a M Experience. Nunca quisemos oferecer uma experiência padronizada. Preferimos partilhar um Porto mais genuíno e pessoal, recomendando restaurantes familiares, cafés históricos, ateliers, antiquários, galerias de arte e pequenos produtores locais que conhecemos, admiramos e valorizamos. Cada sugestão é pensada à medida de cada hóspede, tendo em conta os seus interesses e a forma como gosta de descobrir um destino.
A própria M Maison Particulière reflete essa identidade. O edifício do século XVI, a coleção de arte da minha família, os materiais, os objetos e as peças de artesanato criam uma ligação permanente entre a história da cidade e uma experiência contemporânea de hospitalidade. O meu objetivo é que quem fica connosco sinta que está verdadeiramente a viver o Porto, e não apenas a visitá-lo.
Estarmos inseridos numa zona classificada como Património Mundial da UNESCO traz- nos também uma enorme responsabilidade. Procuramos honrar esse património através da preservação cuidada do edifício, da valorização da cultura local e da promoção de um turismo mais consciente, assente na qualidade da experiência e não na quantidade de visitantes. No fundo, a M Experience é o nosso convite para descobrir o Porto com o olhar de quem aqui vive, conhece cada recanto e continua profundamente apaixonado por esta cidade.
A M Maison Particulière é associada da AILD. De que forma esta parceria tem contribuído para a vossa expansão e para captar novos clientes?
A parceria com a AILD tem sido uma mais-valia para a M Maison Particulière, sobretudo pela proximidade que nos proporciona a uma comunidade de lusodescendentes que valoriza Portugal como destino de investimento, segunda residência ou regresso às suas origens. Para mim, esta associação representa uma oportunidade importante para reforçar a nossa rede de contactos, aumentar a visibilidade da marca junto de um público internacional e criar novas oportunidades de negócio através das iniciativas, eventos e momentos de networking promovidos pela AILD.
Paralelamente, tenho também o orgulho de ver a M Maison Particulière integrada na Condé Nast Johansens, uma das mais prestigiadas referências internacionais na seleção de hotéis de luxo e propriedades exclusivas. Este reconhecimento reforça a credibilidade do nosso projeto junto de um público exigente e internacional e contribui para consolidar o nosso posicionamento no segmento do luxo, atraindo hóspedes que procuram experiências verdadeiramente diferenciadoras e um serviço altamente personalizado.
Acredito que estas parcerias desempenham um papel importante no crescimento da M Maison Particulière. Permitem-nos chegar a novos mercados e fortalecer a notoriedade da nossa marca, sem nunca perder aquilo que considero ser a nossa essência: a autenticidade, a exclusividade e a atenção personalizada que definem a experiência que procuramos oferecer a cada hóspede.
Que próximos passos podemos esperar — novas experiências, colaborações, ou eventuais expansões do conceito “Maison” para outros destinos?
Neste momento, não temos planos para expandir o conceito Maison para outros destinos. A nossa prioridade é continuar a cuidar da M Maison Particulière e preservar aquilo que consideramos ser a sua maior força: a dimensão intimista, a gestão familiar e a atenção personalizada que dedicamos a cada hóspede. Acredito que o verdadeiro luxo não está na dimensão de um projeto, mas no tempo que dedicamos a cada detalhe, na autenticidade das experiências que proporcionamos e na proximidade que conseguimos manter com quem nos visita. Por isso, o nosso foco não passa por aumentar o número de unidades, mas por aperfeiçoar continuamente a experiência que oferecemos, mantendo os valores que estiveram na origem deste projeto. Queremos que cada estadia continue a refletir o cuidado, a dedicação e a hospitalidade que sempre definiram a M Maison Particulière.
Ao mesmo tempo, procuro continuamente estabelecer novas colaborações com artistas, artesãos, produtores locais e parceiros que partilhem a nossa filosofia de hospitalidade. Acredito que estas parcerias enriquecem a M Experience, permitindo-nos oferecer propostas cada vez mais exclusivas e autênticas e proporcionar aos nossos hóspedes uma ligação mais profunda à cultura, à criatividade e à identidade do Porto. Mais do que expandir uma marca, o nosso objetivo é continuar a elevar a experiência de quem nos visita, fazendo da M Maison Particulière uma casa onde cada estadia é verdadeiramente única, pessoal e memorável.
Mais do que expandir uma marca, queremos continuar a elevar a experiência de quem nos visita, fazendo da M Maison Particulière uma casa onde cada estadia é única, pessoal e memorável.























