A tosse
Um sintoma muitas vezes desvalorizado

A tosse é um sintoma muito frequente, mas muitas vezes desvalorizado, mesmo desprezado, sendo encarado como um incómodo e não como um sinal de alerta na nossa saúde em geral. A tosse, é um mecanismo reflexo fisiológico complexo, de expulsão súbita e forçada de ar dos pulmões e representa um mecanismo neurofisiológico de defesa do nosso organismo, como reação a um problema, sendo que na sua origem podem estar situações muito distintas e com gravidade muito diversa. A tosse pode ser considerada um sintoma inespecífico e autolimitado e não ser motivo de preocupação, se for esporádica e não for acompanhada de outros sintomas.
Por outro lado, a tosse persistente por mais de 3 semanas, particularmente acompanhada de outros sintomas, obriga a que seja considerada um sinal clínico relevante, um sinal de alarme, e que a procura de avaliação médica seja mandatária. A origem da tosse pode abranger não só múltiplas patologias do foro respiratório como também a de outros órgãos e sistemas ou ser um efeito adverso a medicamentos.
A valorização da tosse e a sua caracterização no contexto de uma avaliação clínica estruturada, multidisciplinar e sustentada pelas recomendações internacionais, permite um diagnóstico precoce, particularmente importante em doenças potencialmente graves, permitindo melhores resultados terapêuticos com impacto significativo na morbilidade e na mortalidade.
A tosse pode constituir, assim, um biomarcador precoce de patologia respiratória ou sistémica, assumindo assim um papel significativo numa abordagem diagnóstica e terapêutica atempada, com implicações relevantes na prestação dos cuidados de saúde. Nunca é demais referir que a literacia em saúde desempenha um papel fundamental na saúde em geral.

O reconhecimento e a compreensão da importância deste sintoma, bem como das suas características e de eventuais sintomas associados, contribui para uma mais concisa, relevante e eficaz comunicação clínica, reduzindo o risco de atrasos diagnósticos e consequentemente melhorando estratégias terapêuticas e prognósticos.
Se considerarmos que a literacia em saúde no nosso país é problemática ou inadequada em quase 50% da população, torna-se crucial a sua promoção e o seu incremento, permitindo o desenvolvimento de capacidades e competências pessoais, com ganhos relevantes na saúde e na qualidade de vida. Cidadãos mais bem informados sobre saúde, são cidadãos mais capazes de tomar decisões adequadas sobre a sua saúde. É fundamental produzir e transmitir mensagens sobre saúde com qualidade, capacitando os cidadãos a selecionar informação credível, isenta e com rigor. Como exemplos de fontes credíveis, não posso deixar de mencionar a Biblioteca de Literacia em Saúde do SNS (https://biblioteca.sns.gov.pt) ou a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) (https://splsportugal.com)
Mais literacia, mais saúde, mais qualidade de vida!



