Retratos da nova emigração
Rafael Dias, de Viseu para Bruxelas

Rafael Dias Pinto nasceu em Bruxelas há 29 anos. Cinco anos mais tarde, porém, a família regressou a Portugal. Formou-se em Engenharia Informática e, em fevereiro de 2022, voltou a Bruxelas, onde vive e trabalha atualmente.
Determinado e ambicioso, sente-se profissionalmente valorizado na Bélgica.
Mantém laços estreitos com a comunidade portuguesa aí instalada e reconhece o potencial da diáspora, nomeadamente pelo conhecimento adquirido no estrangeiro e pela riqueza das experiências e partilhas multiculturais.
Nesta entrevista, partilha connosco os desafios que teve de enfrentar e, à semelhança dos anteriores convidados desta rubrica, lança um olhar atento sobre a realidade portuguesa, nomeadamente sobre as dificuldades que os jovens enfrentam em Portugal.
O que o levou a tomar a decisão de emigrar?
Desde cedo, a ideia de emigrar sempre esteve presente na minha vida. Nasci em Bruxelas, filho de pais emigrantes de primeira geração, e cresci com essa realidade muito presente em casa. Tenho memórias muito marcantes dos meus tios, que também viviam fora. Sempre que vinham a Portugal, havia ali qualquer coisa que me fascinava — as histórias, a forma como falavam da vida lá fora, essa sensação de que existia um mundo maior para explorar. Sem pensar muito nisso de forma consciente, fui criando esse “bichinho” cá dentro, uma curiosidade natural por voltar a emigrar.
Mais tarde, o Erasmus na Lituânia acabou por reforçar ainda mais esse lado. Percebi que não sou uma pessoa que se contenta com o banal. Preciso de mudança, de estímulo, de sentir que estou a viver coisas novas. Não é tanto pela procura de melhores condições ou de algo específico, mas mais por uma necessidade pessoal — gosto de sentir, de viver experiências diferentes, de sair da zona de conforto. Para mim, isso é essencial.
Que fatores em Portugal mais pesaram nessa decisão?
Acho que, no meu caso, foi uma combinação de fatores pessoais e profissionais. Por um lado, já tinha dentro de mim essa vontade de conhecer mais, de viver outras realidades, de estar em contacto com pessoas e experiências diferentes. Mas houve também um momento mais pragmático, quando entrei no mercado de trabalho. Ainda ponderei ficar em Portugal, mas comecei a perceber que, financeiramente, seria difícil ter o estilo de vida que procurava. Trabalhava numa consultora, numa área com bastante procura, como a engenharia informática, mas mesmo assim sentia que o dinheiro não chegava para muito mais do que o essencial. Lembro-me de, na altura, ter tido de comprar um carro por necessidade, enquanto já pagava um quarto numa casa partilhada e todas as despesas do dia a dia. No fim do mês, sobrava muito pouco. E isso fez-me pensar: se estou numa área valorizada e mesmo assim sinto estas limitações, então talvez precise de procurar oportunidades fora. Foi aí que tomei a decisão. Percebi que, para conseguir crescer — não só financeiramente, mas também ao nível das experiências que queria viver — tinha de dar esse passo e emigrar.
Foi uma decisão rápida ou amadurecida ao longo do tempo?
Foi uma decisão bastante rápida. Na altura já estava a trabalhar, mas comecei a enviar currículos para Bruxelas quase de forma natural, sem um plano muito rígido.
Acabei por ter várias oportunidades, fiz alguns processos de recrutamento e fui avançando com as opções que iam surgindo. No meio disso, houve uma proposta que me pareceu fazer mais sentido, tanto a nível profissional como pessoal, e foi essa que escolhi.
Não foi algo excessivamente pensado ou planeado ao detalhe. Acho que foi mais uma questão de estar atento às oportunidades e aproveitar o momento certo. Quando percebi que fazia sentido, avancei sem hesitar muito.
Quais eram as suas principais expectativas em relação à vida no país de acolhimento?
Então, na verdade, eu não tinha expectativas muito definidas. O meu foco era simples: estar melhor do que estava em Portugal. Além disso, saber que tinha família aqui deu-me aquela segurança de que, se algo corresse menos bem, teria apoio. No fundo, é um princípio que levo para a vida: procurar estar sempre um passo à frente da pessoa que fui ontem.

E como foi a sua chegada? Quais foram as maiores dificuldades de adaptação
A minha chegada, honestamente, foi facilitada pelo facto de ter família aqui. Durante os primeiros seis meses, fiquei em casa de uma tia e convivi com um primo de idade próxima. Tinha outros primos por perto, e com uma comunidade maioritariamente portuguesa à minha volta, quase nem senti que estava fora de Portugal. O maior desafio, porém, foi no ambiente profissional. Bruxelas é trilingue — holandês, francês e inglês. Na minha empresa, o inglês bastava, mas se quisermos mesmo integrar-nos na vida local, o francês ou o holandês fazem falta. Além disso, houve uma mudança profissional grande. Eu passei da área de programação para a engenharia de sistemas. No primeiro dia, lembro-me de me sentar na minha secretária, ver o que os colegas estavam a fazer e sentir-me assustado. Não foi medo, mas sim o impacto de perceber que tudo era novo: trabalho novo, sem os meus pais e o meu irmão por perto. Foi uma espécie de choque, que só percebi em pleno depois.
Que estereótipos tinha sobre o país e descobriu que não eram verdade?
Eu tinha ouvido muitas vezes que os imigrantes não se misturam, que os belgas, em especial os flamengos, eram difíceis de conhecer. No início, isso parecia verdade, mas com o tempo percebi que é um choque cultural. Tal como dizem que os portugueses são “diretos” para os brasileiros, os flamengos podem parecer ainda mais. No fundo, eles apenas têm uma forma diferente de se relacionar. Na prática, descobri que, com um esforço genuíno, é possível criar laços. Já fiz jantares de equipa em minha casa, dou-me muito bem com colegas flamengos, e até criei uma ligação mais forte com eles do que com alguns francófonos. No fundo, o estereótipo de que é difícil criar amizades cai por terra quando nos adaptamos à cultura deles. Pequenos gestos, como aprender a dizer “obrigado” em flamengo ou convidá-los para algo que eles apreciam, fazem toda a diferença. No fim, somos nós que temos de dar o primeiro passo para construir as relações, no fundo somos nós a querer integrar-nos e não o contrário.
Como conseguiu arranjar trabalho e casa?
O trabalho foi, acima de tudo, persistência. Todas as noites, antes de dormir, enviava dezenas de candidaturas no LinkedIn. Para conseguir uma oportunidade, tive de mandar centenas de currículos. E essa é a mensagem: as oportunidades existem, mas é preciso insistir e candidatar-se a muitas vagas. Quanto à casa, tive a sorte de começar em casa de uma tia. Mais tarde, surgiu uma oportunidade de ficar com o lugar de um primo que estava de saída, e foi um processo direto. Não passei pelo processo difícil por que muitos passam. Mas sei que o mercado é desafiante. As casas ficam no mercado apenas dois ou três dias. Quando visitamos, há várias pessoas a ver ao mesmo tempo. Depois, enviamos a documentação, incluindo o salário, e os proprietários escolhem. É um processo competitivo.
Tem melhores condições de trabalho na Bélgica Sente-se mais valorizado?
Sim, de forma geral, sinto que há condições melhores. Na Bélgica, pelo menos na minha experiência, há mais mobilidade. Em quatro anos, mudei de cargo duas vezes, e o salário foi sempre ajustado. A Bélgica tem uma política de ajustar salários à inflação, o que garante um certo poder de compra. Além disso, há mais oportunidades, provavelmente devido à dimensão das empresas e à competitividade do mercado. As empresas fazem questão de valorizar os bons profissionais para não os perderem. No entanto, não diria que é um mundo à parte de Portugal. Também há desafios. A grande diferença é que o salário em Bruxelas é significativamente superior. Mesmo que nem sempre seja “justo”, o custo de vida é mais equilibrado. Uma renda partilhada, por exemplo, representa uma fatia menor do salário, enquanto em Portugal, muitas vezes, metade do rendimento de um casal vai para a renda. E isso, em Portugal, torna-se complicado.

O que mais o surpreendeu no mercado de trabalho belga?
Uma das coisas que mais me surpreendeu foi a carga fiscal. A Bélgica tem dos impostos mais elevados da Europa. Se não fosse isso, os salários aqui seriam incríveis, e a qualidade de vida ainda mais alta. Para dar um exemplo, no ano passado recebi um bom bónus, mas 59% desse bónus foi para o Estado. No fundo, o Estado teve um “bónus” melhor do que o meu! Isso cria uma cultura onde as empresas tentam compensar de outras formas: carros da empresa, cartões de refeição e afins. Se em Portugal se fala de carga fiscal, aqui é ainda mais. Isso foi um verdadeiro choque.
Há algo em que considera que Portugal está mais avançado do que a Bélgica?
Sim, há áreas onde Portugal está mais avançado. Sinto que, em novas tecnologias, Portugal está à frente. A velocidade da internet, por exemplo, ou a automatização de certos processos. Mesmo coisas como o MB Way. Aqui também já temos opções, mas em Portugal isso surgiu mais cedo. A fibra ótica, por exemplo, só a tive cá há cerca de um ano, e ainda não cobre toda a Bélgica.
Outro ponto é a segurança. Portugal, pelo menos quando saí, era muito mais seguro do que a Bélgica, França ou Holanda. E isso faz uma diferença grande na qualidade de vida.
Como é viver longe da sua família e dos amigos de infância?
Viver longe da família e dos amigos de infância é mais fácil do que seria no passado. Eu tenho muita família aqui, o que já ajuda, e vou com frequência a Portugal. Além disso, com o WhatsApp e as redes sociais, a distância não se sente da mesma forma. Já não é como antigamente, em que estar longe significava estar isolado. Hoje, estamos sempre a um clique de distância.
A distância afetou as suas relações pessoais ou familiares?
Sim, inevitavelmente a distância acaba por afetar as relações. Não diria que as pessoas deixam de gostar de nós, mas a verdade é que, quando uma amizade não é alimentada no dia a dia, acaba por se ir esbatendo com o tempo.
Com a família é diferente. Há um esforço maior para manter o contacto — falo com os meus pais quase todos os dias e vamos-nos visitando com alguma regularidade. Já com os amigos, sinto mais essa mudança. Mas também acho que não é só a imigração. É uma fase da vida em que cada um começa a focar-se mais no seu próprio caminho, no trabalho, nas relações, e isso naturalmente cria algum afastamento. O que sinto é que, quando volto a Portugal, sou sempre bem recebido, sinto o carinho das pessoas, mas ao mesmo tempo já não me sinto totalmente parte do grupo. E, sendo honesto, acho que esse é um dos “preços” da emigração: deixamos de nos sentir completamente em casa. Nem no país de acolhimento, nem no país de origem. É como se o conceito de “casa” ficasse um pouco dividido.
Mantém maioritariamente contacto com portugueses ou com locais?
Acabo por manter mais contacto com portugueses. Tenho cá amigos, inclusive alguns de Viseu, que também emigraram para Bruxelas, e naturalmente a minha família também está aqui. Isso faz com que grande parte do meu dia a dia seja passado dentro dessa comunidade. Claro que também convivo com colegas de trabalho de outras nacionalidades, mas, fora do contexto profissional, acabo por estar mais com portugueses. Além disso, a comunidade portuguesa na Bélgica é mesmo muito forte. Existe um grande sentido de união e organização. Por exemplo, há grupos de WhatsApp com centenas de portugueses, com várias subcomunidades, e organizam-se frequentemente para convívios e atividades. Sente-se mesmo esse espírito de comunidade, o que acaba por facilitar muito a adaptação.

Se comparar a sua vida em Portugal e na Bélgica, quais são as maiores diferenças?
Sem dúvida que a maior diferença é a questão financeira. O poder de compra na Bélgica é superior e isso tem um impacto direto na qualidade de vida. Mas, para além disso, sinto também diferenças culturais no dia a dia. Em Portugal, as pessoas valorizam muito o convívio simples — um café ao fim do dia, uma conversa mais leve, temas do quotidiano. Há uma proximidade maior e, de certa forma, uma vida mais tranquila, sobretudo em cidades mais pequenas como Viseu, onde cresci. Já em Bruxelas, sendo uma capital muito internacional, o ambiente é diferente. Há uma enorme multiculturalidade e isso reflete-se também nas conversas e nos interesses das pessoas. Fala-se mais de temas globais, política internacional, economia, o que é natural tendo em conta o contexto europeu da cidade. Sente-se também um ritmo mais acelerado e uma vida mais agitada, o que pode gerar algum stress se não for bem gerido. No fundo, são estilos de vida diferentes. Em Portugal, sinto uma maior leveza no dia a dia; aqui, há mais dinamismo e exposição ao mundo. Ambos têm aspetos positivos, depende muito daquilo que cada pessoa valoriza em cada fase da vida.
Que aspetos positivos encontra em Portugal e que acha que deviam ser mais valorizados?
Portugal tem vários aspetos muito positivos que, muitas vezes, não são suficientemente valorizados. Desde logo, o clima. Temos sol grande parte do ano, temperaturas amenas e uma qualidade de vida associada a isso que faz mesmo a diferença. Só quando estamos fora é que percebemos o impacto que isso tem no dia a dia. A gastronomia é outro ponto forte. A comida em Portugal é, de facto, incrível, tanto pela qualidade como pela diversidade. É algo que faz parte da nossa identidade e que acaba por marcar muito quem vive fora. Mas, acima de tudo, destaco a nossa cultura e as pessoas. O fado, as tunas, as tasquinhas, as festas populares, as sardinhadas, as festas de aldeia… há um sentido de comunidade muito forte, uma forma de viver e de estar que é difícil de replicar noutros países. A convivência, a proximidade entre as pessoas, essa facilidade em criar momentos juntos — tudo isso torna os portugueses um povo muito especial. E, muitas vezes, só quando estamos fora é que percebemos verdadeiramente o valor disso.
Volta regularmente a Portugal?
Sim, volto com alguma regularidade. Em média, regresso a Portugal três a quatro vezes por ano, para além de algumas viagens mais pontuais por motivos específicos ou eventos.
Sente saudade do seu país?
Sinto, claro. Tenho muitas saudades de Portugal, sobretudo das pessoas, do convívio e de tudo o que faz parte do dia a dia. No entanto, neste momento, não me revejo a voltar a trabalhar em Portugal, pelo menos a curto prazo. Acho que ainda tenho muito para aproveitar e crescer fora. Tento gerir essa saudade com visitas regulares e mantendo contacto próximo com quem me é mais importante.
Sente que mudou como pessoa depois de emigrar? Acha que seria uma pessoa diferente se tivesse ficado em Portugal?
Sim, sem dúvida que emigrar me fez mudar como pessoa. É um processo exigente, muito mais do que aquilo que se vê de fora. Para além da experiência de conhecer novos países e culturas, há todo um conjunto de desafios — a adaptação a um novo mercado de trabalho, a necessidade de comunicar em diferentes línguas, a integração numa cultura diferente. Tudo isso obriga-nos a crescer mais rápido, a ganhar autonomia e a sair constantemente da zona de conforto. No meu caso, também tive a oportunidade de trabalhar em empresas maiores e mais exigentes dentro da minha área, o que me expôs a projetos mais complexos e a uma aprendizagem muito mais acelerada. Isso acabou por ter um impacto direto no meu desenvolvimento, tanto profissional como pessoal. Acredito que, se tivesse ficado em Portugal, seria uma pessoa diferente. Não necessariamente melhor ou pior, mas certamente com outro tipo de experiências e perspetivas. Cada escolha molda-nos de forma única, e emigrar foi, sem dúvida, uma das que mais me fez evoluir.
Que imagem têm os belgas dos portugueses?
Sendo português, nunca tive nenhuma experiência direta de alguém falar mal dos portugueses. Pelo contrário, a imagem que sinto é, de forma geral, bastante positiva. No entanto, acho que há uma diferença entre gerações. A geração dos nossos pais e avós foi muito marcada por trabalhos mais físicos ou menos qualificados, mas sempre com uma reputação de pessoas sérias, trabalhadoras e de confiança. Isso criou uma base muito sólida para a imagem que hoje existe. Já a geração atual é diferente. Há cada vez mais portugueses altamente qualificados, inseridos em áreas mais técnicas e especializadas, o que acaba por reforçar ainda mais essa perceção positiva. No fundo, sinto que existe respeito pelos portugueses, muito construído ao longo do tempo, e que continua a evoluir com as novas gerações.

Como vê Portugal agora, estando longe?
Vejo Portugal com muito carinho, talvez até com mais apreciação do que quando lá vivia. Estando fora, começamos a valorizar mais coisas que antes pareciam normais — o clima, a comida, a proximidade entre as pessoas, a forma de viver o dia a dia.
Ao mesmo tempo, também consigo ver alguns desafios com mais clareza, sobretudo ao nível das oportunidades e das condições para quem lá vive. Percebo porque é que muitas pessoas sentem dificuldade em construir a vida que gostariam, especialmente a nível profissional e financeiro.
No fundo, vejo Portugal como um país com uma qualidade de vida enorme em muitos aspetos, mas que ainda tem margem para evoluir noutras áreas. Continua a ser casa, mas hoje olho para ele com uma perspetiva mais completa.
Acha que Portugal valoriza a sua diáspora?
Acho que Portugal ainda não valoriza verdadeiramente a sua diáspora. Pelo contrário, sinto que, por vezes, existe alguma crítica ou até algum preconceito em relação a quem decide emigrar.
Nota-se isso até na forma como, por vezes, se fala dos emigrantes, com expressões como “avecs” ou “camones”, que acabam por ter uma conotação negativa. No entanto, a realidade é que muitos continuam profundamente ligados ao país e contribuem de várias formas, seja financeiramente, seja através da experiência e conhecimento que adquirem lá fora.
Acredito que falta um reconhecimento mais claro desse valor e uma maior proximidade entre o país e quem vive fora. Há muito potencial na diáspora portuguesa que ainda não está a ser totalmente aproveitado.
Que conselhos daria a jovens portugueses que estão a pensar emigrar?
O primeiro conselho que daria é falarem com quem já passou pelo processo. Emigrar tem muita componente burocrática e administrativa que, muitas vezes, é a parte mais difícil. Ter alguém que já passou por isso ajuda muito a perceber os passos e a evitar erros.
Depois, diria para não terem medo. No pior dos casos, o que é que acontece? Voltam. E isso não é um fracasso — é apenas mais uma experiência. Acho que é sempre melhor tentar do que ficar com a dúvida do “e se”. Emigrar pode ser desafiante, mas também é uma oportunidade enorme de crescimento, tanto a nível pessoal como profissional.
Considera a emigração como solução temporária ou definitiva?
Neste momento, vejo a emigração como algo mais próximo de definitivo, mas, sendo honesto, é uma pergunta difícil de responder com certeza.
Não penso necessariamente em ficar na Bélgica para sempre, mas sim em continuar onde fizer mais sentido para o meu crescimento. Sou uma pessoa que valoriza muito a evolução constante, tanto a nível pessoal como profissional, e acredito que o meu percurso será guiado pelas oportunidades que forem surgindo. No fundo, mais do que um país específico, procuro continuar a crescer e a desafiar-me, seja onde for.
Uma mensagem para quem pensa emigrar?
Diria, acima de tudo, coragem. O povo português sempre foi um povo de navegadores e de conquista — podemos ter receio das marés, mas avançamos na mesma.
Não é um caminho fácil, é verdade. Há desafios, momentos de dúvida, fases de adaptação. Mas, no fim, compensa. O crescimento que se ganha, a experiência, a visão do mundo — tudo isso acaba por “valer a pena”.
Para quem tem essa vontade, diria: não deixem que o medo vos bloqueie. A determinação e a vontade de vencer acabam sempre por trazer resultados.



