O Sonho da Emigração na Mala de Cartão
Emigrar – Palavra da saudade entre esperança e desespero. Esperança de encontrar melhor vida além-fronteiras e um dia regressar. Desespero de deixar sua pátria. Mas também chegar ao estrangeiro e sem demora voltar antes de começar nova vida, porque não encontrou o sonho que procurava. A saudade de realizar seus sonhos e ao mesmo tempo do que deixou para trás. Na sua “Mala de Cartão” de outrora leva palavras com diferentes facetas e sonha de um dia se ver realizado. O Fado do Emigrante.

A emigração não é um fenómeno de tempos modernos, mas sim, possivelmente tão antigo como a existência da humanidade. A procura de melhores vidas levou e leva o ser humano a deixar sua Terra Natal para em terras longínquas realizar seus sonhos.
É o Fado da saudade e dos navegadores, descobridores e conquistadores. No meio da Tempestade de uma Hora de Desespero nasce uma Hora de Esperança. O que mudou: os transportes e as “Malas”. Do simples andar a pé até ao avião, os emigrantes deixaram de ser navegadores a olhar para as estrelas. Hoje em dia com o GPS depressa se chega à meta. Os baús de madeira, que seriam um pesadelo para todas as companhias aéreas, foram ao longo do tempo substituídos por sacos / malas desportivos/as e funcionais. É uma forma de viajar mais leve. Porém – os conteúdos das malas continuam “pesados”, porque significam o destino. A célebre “Mala de Cartão da Emigração” conta o seu Fado, que guardava sonhos sobre novos Mundos. Acontece que os Novos Mundos se transformaram referente à aceitação e integração em autênticos “Campos de Batalha Jurídicas em Defesa dos seus Direitos”. Não foram anos fáceis, mas valeram a pena todas as lutas, porque passaram de “Trabalhadores Convidados”, os “Gastarbeiter” como eram designados na Alemanha, para Cidadãos Europeus. Quem hoje emigra encontra diferentes condições, enquanto no início enfrentaram verdadeiras aventuras.
O Comboio da Esperança abrandou e aproximava-se da fronteira francesa. Uma família com 3 crianças, uma era um bebé, procurava descer do comboio ainda em andamento. Os restantes passageiros ajudaram com as crianças e os sacos, mais malas. Era uma situação perigosa, mas conhecida. Não somente a família desceu nas descritas condições. Mais passageiros tentaram saltar do comboio. Nem sempre com sucesso, mas depressa se levantavam e fugiam para a guarda fronteiriça não os encontrar. Porque se acontecesse, sabiam que eram deportados para Portugal. Por conseguinte, “saltar” a fronteira de forma secreta, era a única maneira de chegar às prometidas “Terras do Paraíso”. Porém em França o Paraíso depressa se transformava em tristeza, desespero e miséria nos conhecidos Bidonvilles. Mas na altura ainda pouco conhecido. A atmosfera no comboio era séria e ao mesmo tempo repleta de esperança. Os que continuaram com sua viagem ficaram perante a situação da família com as crianças pensativos e com muita pena. Uma ou outra lágrima não se conseguiu segurar, porque somente pensar, como é que os pais com as crianças e um bebé conseguiam caminhar, “dar o salto” e chegar à pretendida meta, deixou os que viveram a situação a refletir sobre o destino e as razões, porque se encontravam no “Comboio da Esperança”.
Ex-Soldados, que regressaram do Ultramar e não conseguiram emprego na Pátria, civis que fugiam da repressão política, cidadãos que deixavam a pobreza para trás, casados, solteiros, noivos, analfabetos, formados, nacionais com e sem contrato … enfim, o espelho da sociedade, em que na altura se vivia a Ditadura de Salazar. O Estado Novo assinou contratos bilaterais, principalmente com França e Alemanha, para aliviar as tensões sociais, que o país vivia, e por intermédio das remessas equilibrar a economia pública. Porém – quem não conseguia um contrato, procurava sua sorte de forma clandestina, principalmente para França.
Enquanto o comboio seguia a sua viagem, ficou no ar a pergunta: “Será que a família conseguia saltar para o sucesso? Ou será que morriam no caminho?” – Possivelmente ainda hoje, passado quase 60 anos, os sobreviventes talvez perguntem, onde está a designada família? Sobreviveram? Os filhos estudaram e representam a França como Presidentes de Câmaras ou pertencem ao Governo local como Vereadores? Quem sabe. Perguntas que possivelmente jamais se conseguem responder.
A viagem continua ….
Jornalístico Crossover – Quem pretender “colecionar” mais “Literárias Rosas” para o “Ramo da Vida”, aceite o convite para conhecer as Rosas Mensageiras ou de Recordação no Jornal Noticias de Fátima: “Rosas para Nossa Senhora do Rosário”. Boa Viagem.



