CCP

7.500 autarcas de origem Portuguesa em França

A maior representação democrática fora de Portugal

Em duas décadas e quatro processos eleitorais autárquicos onde a comunidade sem nacionalidade francesa pode exercer o seu direito de voto e serem candidatos (2001, 2008, 2014 e finalmente 2020), a comunidade Portuguesa de França é reconhecida por vários líderes políticos franceses como um eleitorado altamente implicado.
Uma instituição acompanhou e desenvolveu ações desde o início do processo democratico para os Portugueses e Europeus em França : a associação CIVICA de autarcas franceses de origem Portuguesa em França criada em fevereiro 2000 no senado. A atividade desta instituição marca de forma distinta a participação cívica da Comunidade portuguesa residente em França.
A primeira conclusão a retirar é o sucesso do caminho percorrido pela Comunidade franco-portuguesa na sua afirmação política em França.
Se há vinte anos a expressão política da nossa Comunidade era diminuta, os resultados das últimas eleições municipais, são a prova inequívoca de que a realidade mudou. E que esta mudança tem de ter ressonância, também, para as eleições em Portugal.
Esta afirmação política, sucede a uma integração conseguida e a um papel de destaque há muito tempo assumido na sociedade francesa. De destacar que são vários os políticos de origem portuguesa que hoje exercem cargos de Presidentes de Câmara, de Vice-Presidentes de câmaras Municipais, de Conselheiros Distritais ou Regionais e até de Deputados à Assembleia da República Francesa.
Mas este caminho teve muitos obstáculos. Desde logo, confrontada durante muitos anos com a impossibilidade legal de poder participar nas decisões políticas do país de residência e, alguma resistência por parte da sociedade local.

Com a entrada de Portugal na União Europeia e os direitos políticos associados à cidadania europeia, tudo mudou. Uma mudança que a Cívica soube alavancar através da realização de campanhas de sensibilização da nossa comunidade para a participação política e formação de quadros para capacitar a nossa comunidade de elementos capazes de poderem fazer a diferença numa eventual candidatura.
A Cívica reúne autarcas de diversos quadrantes políticos, de várias confissões religiosas e de origens bem diferentes. No entanto, não podemos esquecer que o principal elo de ligação de todos estes agentes políticos é a língua portuguesa. E aí, a ligação de Portugal com esses autarcas é insuficiente e afasta toda uma sociedade de Portugueses a residir em França dos actos eleitorais em Portugal.
As propostas dos autarcas e delegados da associação CIVICA para uma maior participação democrática e eleitoral para sufrágios nacionais são conhecidas. Uma maior simplificação e facilitação do acesso aos atos eleitorais em que as comunidades eleitores possam participar.
Não faz sentido o ainda grande afastamento das comunidades para os processos eleitorais em Portugal. Enquanto muitos países têm votação a distância, em Portugal só se fala em testes de votação via internet. Será que o país que recebe o Web Summit não tem capacidade de responder a este desafio?
Não devemos ter medo da participação democrática e aproveitar as boas práticas de outros países com o voto na internet a distância e avançar.
No próximo ano, dia 30 de janeiro 2022, vamos ter eleições legislativas com boletins de votos que nos vão chegar a casa. Devemos, nas comunidades, estarmos atentos e exercer o nosso direito de voto e eleger os nossos quatro deputados.

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