Gilda Pereira
Presidente da Direção da AILD

Gilda Pereira é uma figura incontornável na defesa e promoção da lusofonia. Licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa e com um mestrado em Gestão de Pequenas e Médias Empresas pela Universidade Nova de Lisboa, fundou em 2019, em conjunto com mais cinco elementos, a AILD – Associação Internacional dos Lusodescendentes, onde recentemente assumiu o cargo de Presidente da Direção. Movida pela convicção de que “somos milhões”, Gilda Pereira tem sido uma voz incansável na valorização da herança cultural, na promoção da língua portuguesa e na criação de uma rede global coesa que une gerações e geografias. Nesta entrevista, abordamos os desafios da sua nova liderança, o papel transformador da AILD e a força inesgotável da identidade lusodescendente.

Gilda Pereira é uma figura incontornável na defesa e promoção da lusofonia. Licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa e com um mestrado em Gestão de Pequenas e Médias Empresas pela Universidade Nova de Lisboa, fundou em 2014 a Ei! Assessoria Migratória, a primeira agência de migração em Portugal, dedicada a facilitar a vida a quem escolhe o nosso país para viver ou investir. O seu percurso profissional, que inclui a advocacia em Lisboa e sete anos como consultora em Angola, forjou uma profunda sensibilidade para os desafios da mobilidade humana e para a riqueza das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Tomou posse recentemente como Presidente da Direção da AILD, num mandato de 5 anos. Deixando as posições e ofícios de lado, quem é Gilda Pereira?
A Gilda Pereira é uma pessoa bastante diferente conforme o contexto onde se encontra, eu sou das pessoas mais ecléticas que conheço. Tão depressa posso estar sentada numa mesa com embaixadores e ministros como a seguir posso estar numa tasca a beber uma imperial bem gelada e a comer tremoços. Esta é a verdadeira Gilda Pereira. Eu gosto de coisas muito diferentes e contrastantes, como, por exemplo, ir a museus de arte antiga, passear nas ruas de Paris, mas também gosto de andar de havaianas no Brasil e sentir-me completamente livre na praia, a beber uma água de coco e a comer os petiscos que vendem no calçadão. Adoro a natureza e o seu silêncio, mas também não dispenso uma boa noitada em Nova Iorque. Sou apaixonada por África, adoro o seu pôr do sol, a temperatura e humidade. Gosto de pessoas simples com brilho nos olhos e histórias para contar, gosto de falar com idosos e absorver a sua sapiência. Gosto muito de ler, perco-me nos livros, são o meu escape no dia a dia. Gosto de coisas antigas, objetos retro, de história, livros sobre história e documentos históricos. Gosto muito de fotografia. Adoro dançar, conhecer pessoas e de falar várias línguas. Gosto muito das coisas simples da vida, mas também sou uma pessoa sofisticada. Enfim… sou uma sonhadora e otimista incurável, uma pessoa com muitos contrastes e que, por isso, se adapta facilmente a qualquer sítio e qualquer situação. Não é possível colocar a Gilda numa caixa, até porque ela nem sabe o que é, nem onde está a caixa.


Recentemente assumiu a presidência da Direção da AILD. Que significado tem para si este novo desafio na associação que ajudou a fundar?
Como é natural, foi com um enorme orgulho que aceitei este novo desafio para assumir a presidência da direção da AILD. Para mim, foi muito importante, uma vez que eu sou uma das fundadoras da associação e agora, enquanto presidente, poderei conduzir mais projetos, dar outro tipo de inputs e prioridades à associação, incutir outras dinâmicas e estabelecer outras metas e objetivos para os próximos cinco anos.
A AILD nasceu em 2019 com a missão de identificar, unir e representar os lusodescendentes. Olhando para trás, como avalia o caminho percorrido até aqui?
A AILD surgiu em 2019, pela vontade de seis pessoas em criar uma associação direcionada para os lusodescendentes, mas uma associação diferente de todas as outras que existiam até então. Neste caso, seria uma associação com sede em Portugal, ao contrário de muitas outras que existem pelo mundo fora, e com o nosso “cérebro” de opções de Portugal para o mundo. Olhando para trás, sinto um enorme orgulho: começámos por ser seis e hoje somos muitas centenas de pessoas, em todo o mundo, com quatro delegações internacionais, por enquanto, a cultivar os mesmos ideais. É relevante frisar que, tudo o que foi feito e todas as iniciativas levadas a cabo pela associação, foram fruto do nosso trabalho, vontade e determinação, uma vez que nunca recebemos qualquer incentivo económico, subsídio ou apoio monetário. Por isso, acho que com os poucos recursos que tínhamos conseguimos fazer muito e chegarmos à dimensão em que nos encontramos hoje.
Costuma afirmar que “os lusodescendentes não são apenas uma extensão da diáspora portuguesa, são o ativo mais valioso que Portugal tem”. Como é que a AILD trabalha diariamente para potenciar este ativo?
Efetivamente costumo referir que os lusodescendentes vão muito além de uma extensão da diáspora, representando cerca de 20 milhões de pessoas, contra os estimados 5 milhões da diáspora portuguesa. Os lusodescendentes, são um ativo valioso para Portugal, pela sua adaptabilidade, conhecimento e capacidade de atuar com excelência em qualquer país e área profissional. Muitas vezes esse valor não é reconhecido em Portugal, ou sequer conhecido, pelo país de origem, e um dos objetivos da associação é justamente mostrar o melhor que esses lusodescendentes fazem no mundo, ajudando a potenciar Portugal como país. O jornalista e escritor Manuel Arouca escreveu num dos seus romances que a principal marca de Portugal no mundo era a de se misturar com outros povos de forma natural, e se isso não fosse festejado e acarinhado com todo o empenho, Portugal definharia como nação. Vamos continuar a defender e fortalecer essa mensagem.


A AILD tem uma presença internacional crescente, com delegações em vários países, desde a Europa à Ásia. Qual é a importância desta expansão geográfica para a consolidação da rede global de lusodescendentes?
Para a AILD, aumentar a presença internacional é crucial para expandir a rede de contactos e influência em várias regiões do mundo. Isso fortalece o lobby dos lusodescendentes, tornando essa rede cada vez maior e mais significativa. Pretendo neste meu mandato manter esse foco para que a AILD possa crescer com impacto real.
Uma das vossas bandeiras é a promoção da língua e da cultura portuguesa. Como é que a AILD consegue manter viva essa chama, especialmente junto das novas gerações que já nasceram fora de Portugal?
A promoção da língua portuguesa é para a AILD um dos pilares principais. Por mais curioso que pareça, as gerações nascidas fora de Portugal, ou seja, as gerações mais novas, são as que mais procuram aprender português. O que tenho constatado ao longo destes anos é o seguinte:
a primeira geração que saiu de Portugal manteve o português como primeira língua e era a língua utilizada dentro de casa; a segunda geração adaptou-se aos países de destino e começaram a falar a língua local, esquecendo aos poucos o português que os pais falavam em casa; agora, a terceira geração deseja voltar às origens, aprender e falar português.
As gerações mais novas veem na língua portuguesa um ativo muito importante, tanto para o mundo do trabalho quanto para se conectarem com Portugal, que, como sabem, é um país cada vez mais valorizado e procurado pelos estrangeiros e que enche de orgulho os lusodescendentes da terceira e quarta geração. Na AILD, temos procurado ao longo dos anos e através de diversos projetos, (alguns deles já na sexta edição, o que demonstra o seu sucesso), promover a língua portuguesa.
A associação é descrita como apartidária e sem fins lucrativos. De que forma essa independência é fundamental para o sucesso e a credibilidade das vossas ações?
Para mim foi muito importante, em 2019, quando aceitei o convite para ser membro fundador da AILD, que a associação fosse apartidária. Essa foi uma das condições que me levou a aceitar o convite; caso contrário, não o teria feito. Isso porque, quando uma associação está ligada a um partido, tende a seguir certas ideologias e a condicionar as suas atividades a essas ideologias específicas com as quais nem todos os lusodescendentes se identificam. Nesse sentido, o facto de a AILD ser uma associação apartidária, cujo único objetivo é aproximar e promover a Cultura portuguesa e aproximar os lusodescendentes pelo mundo, confere maior credibilidade às nossas ações, por serem completamente livres de qualquer pressão partidária e ideológica.
A AILD promove eventos que dão rosto e voz à lusofonia, como exposições de arte, lançamentos de livros, colóquios, concursos literários. Qual é o impacto destas iniciativas na preservação da identidade cultural?
A missão e o propósito da AILD são exatamente a divulgação da cultura, da língua e da ação social dos portugueses e dos lusodescendentes nas diversas partes do globo. Daí nós darmos a conhecer ao mundo exposições de artistas lusodescendentes, lançamento de livros escritos por lusodescendentes e colóquios e concursos literários que possam enriquecer o conhecimento da cultura e língua portuguesa.
Projetos como o “Realces” e as “Obras de Capa” o concurso literário “As minhas férias em…” o Portuguese in Translation Book e o “Literanto” têm ganho destaque. Pode falar-nos um pouco mais sobre estas iniciativas e como elas envolvem a comunidade?
Estes projetos são exemplos sólidos de iniciativas que a AILD tem desenvolvido nos últimos anos, alguns deles com mais de 6 edições. O “Realces” é um projeto multidisciplinar que permite a acessibilidade às artes plásticas a pessoas cegas ou com baixa visão, e que hoje envolve vários parceiros, como a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, a ADV – Aliança para a Deficiência Visual, a Universidade do Minho, entre outras. Com diferentes ações, tem vindo a alertar os mais jovens para as questões relacionadas com a visão, bem como para a inclusão de TODOS nas artes. São já diversos os municípios que acolhem o “Realces”, envolvendo assim diretamente as comunidades locais.
“Obras de Capa” nasceu com a revista “Descendências”: todos os anos é promovido nas suas capas um artista plástico (e também a língua portuguesa nos textos que retratam as obras) e, no final, é feita uma exposição das 12 obras (dos 12 meses), que circula pelas nossas comunidades através dos pontos focais do Camões I.P.. No último ano tivemos um artista lusodescendente americano, o Michael de Brito, e agora vamos iniciar a itinerância da sua exposição.
O concurso literário “As minhas férias em…” tem como finalidade promover e fomentar, junto dos jovens e das crianças lusófonas a viverem fora do país de origem, a língua portuguesa, o gosto pela criação literária e a investigação histórica, geográfica e cultural sobre os países de língua oficial portuguesa. Na edição deste ano, a viagem vai ser feita até Timor-Leste. São parceiros desta iniciativa a LEYA (patrocinador oficial), a Fundação Calouste Gulbenkian e a Maison du Portugal. A participação e o envolvimento da rede do EPE (Ensino Português no Estrangeiro) têm garantido a participação de vários países, e este ano pretendo envolver os países de língua portuguesa com a formalização de um protocolo com a CPLP.
O Portuguese in Translation Book nasce da delegação da AILD no Reino Unido, com a sua autora, a premiada escritora Gabriela Ruivo, a lançar um projeto de divulgação de autores de língua portuguesa ao público inglês. Sem dúvida, tem sido um verdadeiro sucesso, e autores, tradutores e público têm aplaudido de forma entusiasta esta iniciativa.
Finalmente, o “Literanto”, que é hoje uma referência em França no que à divulgação da literatura infantojuvenil diz respeito, com as “Horas do Conto” promovidas pela Sara Nogueira e outras iniciativas desenvolvidas no âmbito do projeto, tem levado mais longe a língua e a cultura portuguesas.
Estes projetos já alcançaram uma dimensão significativa: por exemplo, o “Realces” já foi exibido em Washington, e as “Obras de Capa” já contam com várias exposições em Vigo, Santiago de Compostela e até uma residência artística em Ancara. Estes projetos demonstram a solidez das atividades e iniciativas da AILD e a forma como pretendemos envolver a comunidade lusodescendente através delas.


Na sua visão, quais são os principais desafios que os lusodescendentes enfrentam atualmente nos seus países de acolhimento e como a AILD pode ajudar a superá-los?
Na minha visão, os principais desafios que os lusodescendentes e os portugueses da diáspora enfrentam nos países de acolhimento são, sobretudo, as barreiras burocráticas para tratar da sua documentação, seja através do consulado ou outras entidades competentes para o efeito. A AILD presta aos seus associados, através do seu gabinete jurídico, um apoio para ultrapassar as barreiras burocráticas e facilitar a integração, quer no país de destino, quer em Portugal. Sempre que necessário, a AILD auxilia na obtenção de diplomas académicos traduzidos e apostilados que precisam ser obtidos em Portugal, ou qualquer outro tipo de documentação que seja necessária para facilitar a sua vida nos países onde moram e/ou a tratar de questões burocráticas em Portugal. A AILD presta igualmente auxílio os portugueses que queiram regressar a Portugal, dando a conhecer as vantagens de o programa Regressar e como dele podem beneficiar.
A AILD tem estabelecido diversos protocolos de cooperação com o movimento associativo, empresas e instituições públicas. Qual é a importância destas parcerias estratégicas?
Todos os protocolos que a AILD tem estabelecido com movimentos associativos, empresas privadas e instituições públicas têm como objetivo um crescimento conjunto e a realização de ações concretas com essas entidades, para que os projetos da AILD tenham maior alcance dentro e fora de Portugal. No meu mandato, tenho como prioridade, rever alguns desses protocolos, porque não basta a assinatura. É preciso ação
Como CEO da Ei! Assessoria Migratória, tem uma vasta experiência na área das migrações. De que forma essa experiência empresarial enriquece a sua liderança na AILD?
O facto de o meu trabalho estar ligado aos movimentos migratórios confere-me muita experiência em lidar com certas situações em que se encontram os associados da AILD. Por exemplo, como CEO da Ei!, lido com determinadas comunidades portuguesas no estrangeiro, nomeadamente no Canadá, Estados Unidos, Angola e Brasil. E isso traz-me, obviamente, um conhecimento mais concreto dessas comunidades e das suas necessidades, o que me permite transpor essa experiência para a AILD, conseguindo colmatar, através do associativismo, algumas das necessidades dos nossos associados. Por outro lado, como CEO da Ei!, tenho uma perspetiva mais empresarial sobre o investimento da diáspora em Portugal e sobre o investimento estrangeiro no país, e essa experiência irá, espero eu, conferir a este meu mandato uma componente mais empresarial na AILD. Ou seja, que esta rede, para além de ser artística e cultural, se torne também cada vez mais uma rede de networking entre os empresários da diáspora e os lusodescendentes que vivem nas diversas latitudes do mundo, mas que têm como objetivo investir em Portugal.


A Revista Descendências, da qual também é fundadora, é um projeto editorial inovador. Qual foi a principal motivação para criar este espaço de informação das comunidades portuguesas e lusófonas?
A revista Descendências surge com o objetivo de ser o principal meio de comunicação dos lusodescendentes e da diáspora portuguesa. A revista é considerada como um projeto editorial inovador em vários sentidos, começando que nós, na Descendências, não temos notícias. O nosso objetivo é dar a conhecer aquilo que de melhor se faz pelos lusodescendentes e pela diáspora no mundo, em diversos setores, na pintura, na escrita, na escultura, na dança, na gastronomia, na poesia, no cinema, na fotografia, na investigação e damos a conhecer também um bocadinho do mundo institucional, o que é o Camões I.P. e as suas atividades, como funciona o Instituto Diplomático, damos voz ao Conselho das Comunidades Portuguesas através dos seus conselheiros espalhados pelo mundo. Depois temos uma particularidade que é, nós não temos capas na nossa revista, temos “Obras de Capa”.
Acredita que a sociedade portuguesa em território nacional valoriza e compreende suficientemente o peso e a importância das suas comunidades no estrangeiro?
De todo! A sociedade portuguesa não compreende o peso e a importância das comunidades portuguesas no estrangeiro. Para a maioria dos portugueses, os imigrantes e os lusodescendentes continuam a ser aquelas pessoas que, de vez em quando, enviam remessas e vêm passar férias a Portugal. Ora, nós, enquanto AILD e a própria revista Descendências, tentamos exatamente quebrar esse estigma e dar a conhecer que os lusodescendentes e os portugueses da diáspora são muito mais do que isso, e que são um dos maiores ativos que Portugal tem.
A AILD defende o estreitamento de relações para potenciar a economia, a sociedade e o turismo em Portugal. Que papel podem os lusodescendentes desempenhar no desenvolvimento económico do país?
Na AILD pretendemos potencializar o papel dos lusodescendentes na sociedade, no turismo e na economia em Portugal. Nós temos, por exemplo, um protocolo com o turismo do Porto e Norte, e as Termas de Portugal, com quem vamos este ano iniciar algumas atividades das quais os nossos associados poderão vir a beneficiar. Eventos como o Portugal Nação Global são muito importantes para os lusodescendentes e os portugueses da diáspora sentirem que podem contribuir da forma que considerem mais pertinente com o seu know-how para o desenvolvimento económico em Portugal. Por isso, esta iniciativa do Portugal Nação Global é de louvar e esperemos que esta edição se volte a repetir porque o objetivo é exatamente unirmos os portugueses que se encontram espalhados pelo mundo a potenciar a economia, a sociedade, a cultura e o turismo em Portugal.
Vivemos numa era digital onde a comunicação é imediata. Como é que a AILD utiliza as novas tecnologias e as plataformas digitais para unir uma comunidade tão dispersa geograficamente?
A AILD tem mantido — e sempre manteve — uma presença muito forte nas redes sociais desde a sua génese. Através do seu website institucional, que torna a inscrição como associado online muito fácil e intuitiva, dispõe de landing pages para cada projeto, facilitando bastante o acesso de quem tenha interesse num projeto específico. Lançámos também uma academia de promoção da língua portuguesa onde poderão encontrar mais informações em falarportugues.pt. Esta iniciativa destina-se a apoiar estrangeiros e lusodescendentes que queiram aprender a falar português. Este novo projeto tem ainda uma característica singular: as empresas podem oferecer aulas de português a determinadas pessoas, ou seja, podem atuar como tutoras de alunos de português num modelo de mecenato. Esta atividade funciona também como uma ação de responsabilidade social expandindo desta forma o ensino do português com o apoio entidades privadas.
Para alguém que seja lusodescendente e não conheça a associação, quais são as principais vantagens de se tornar associado da AILD?
A AILD oferece, aos lusodescendentes, como vantagem principal, de nunca estar sozinho, independentemente da área de atuação e da zona geográfica onde se encontre. Os associados têm acesso a uma rede internacional de contactos, que pode ser crucial para divulgar o trabalho, seja de um artista, apresentar uma empresa no caso dos empresários, realizar negócios e participar em missões empresariais. Além disso, como parte da associação, os lusodescendentes podem usufruir de benefícios junto às entidades com as quais a AILD mantém protocolos, como unidades hoteleiras, seguradoras e outras instituições, onde os associados poderão ter direito a descontos e outros privilégios.
Num dos seus textos, escreveu: “A herança portuguesa pelo mundo é feita de língua, de cultura, de valores, de sabores, de saudade e de esperança”. O que significa, para si, ser lusodescendente hoje?
Portugal, apesar de ser um país pequeno, é extraordinariamente rico em cultura, arquitetura, gastronomia e diversidade paisagística. Penso que, tendo em conta a sua dimensão, Portugal, é o mais rico e diversificado de todos os países. Ser lusodescendente, hoje e sempre, deve ser motivo de orgulho, porque os portugueses têm no sangue a coragem, a ousadia e a resiliência, comprovadas por toda a sua história e pelo seu passado. Assim, continuaremos de cabeça erguida, com muito orgulho na nossa língua, na nossa cultura e nos nossos costumes e, tal como no passado, sem receios que os nossos valores e costumes desapareçam quando diluídos com outras culturas pois, a história diz-nos que a cultura portuguesa não desaparece com o passar dos anos, mas enraíza-se e multiplica-se.
A AILD tem como lema “Unidos somos mais fortes”. Como planeia, enquanto Presidente, fomentar ainda mais a união e a solidariedade entre os membros e associados neste seu mandato de 5 anos?
Eu sou uma pessoa de pessoas e para pessoas, portanto o lema “unidos somos mais fortes” para mim não é um lugar comum é algo que eu costumo trazer para todos os meus projetos. Tenho uma visão clara: envolver profundamente as pessoas e fazê-las sentir parte de cada projeto e da própria associação. Quero aumentar os convívios presenciais e tenho como prioridade concretizar o projeto do “Lusodescendências” — Encontro Mundial dos Lusodescendentes em Sintra, município onde está sediada a nossa associação. Além disso, neste mandato, pretendemos fortalecer os laços entre a AILD e os municípios locais de forma a alcançar o nosso objetivo de união, crescimento e maior visibilidade. Vamos avançar com foco e energia!
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar a todos os portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo que acompanham o trabalho da AILD?
Eu gostaria de deixar aqui um repto a todos os portugueses e lusodescendentes que se encontram nos mais diversos pontos do mundo, para que se juntem à AILD, que se façam associados da AILD, para juntos podermos fazer ainda mais pelo nosso país, pela nossa cultura e pela nossa economia. Num mundo cada vez mais fragmentado, que isso nos sirva de exemplo a nós, portugueses, para nos voltarmos para as nossas raízes e para nos unirmos e juntos conseguirmos chegar mais longe. A AILD espera pelo vosso contributo.























