Joaquim Proença Lobo

Joaquim Lobo – Angola © Coleção de Família

Joaquim Proença Lobo (1944-2011) foi um fotojornalista português. Nasceu em Lisboa a 22 de abril de 1944, tendo desenvolvido uma carreira notável.
Ao longo de quase meio século de carreira profissional, Joaquim Lobo colaborou em vários e distintos meios de comunicação social. Entre 1960 e 1966 trabalhou no jornal Diário da Manhã, em revistas – na Flama esteve entre 1966-1971 -, programas de Rádio e de Televisão. De 1969 a 1975 integrou a equipa de reportagem do jornal A Capital, tendo-se destacado com reportagens realizadas durante as voltas à França em bicicleta, 24 horas de Le Mans, a revolução de 25 de Abril de 1974, o 11 de março, o 25 de novembro e, em 1983, fotografou o Zeca Afonso no concerto ao vivo no Coliseu de Lisboa.

[Militar português com a última bandeira portuguesa aquando da independência de Angola]
Kifandongo1975-11-10 PT/AMLSB/JPL/000001 © Arquivo Municipal de Lisboa
[Almirante Vítor Crespo, Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola e Lopo do Nascimento, primeiro-ministro de Angola] 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000003 © Arquivo Municipal de Lisboa

Durante este período chefiou a secção da comissão sindical dos repórteres fotográficos.
Joaquim Lobo foi, também, um dos sócios fundadores da sociedade por quotas Projornal, constituída em 1975 por 15 jornalistas: Joaquim Letria, Manuel Beça Múrias, Afonso Praça, Pedro Rafael dos Santos, Francisco Sarsfield Cabral, Carlos Cáceres Monteiro, Hernâni Santos, Fernando Gaspar, Joaquim Proença Lobo, Rui Pimenta, Ribeiro Cardoso, António Carlos Carvalho, Luís Almeida Martins, João Segurado e José Carlos Vasconcelos.

[Militar português e civis] Luanda [1975-11-11] PT/AMLSB/JPL/000014
© Arquivo Municipal de Lisboa
Posto de comando Kifandongo 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000017
© Arquivo Municipal de Lisboa

Manteve atividade na Projornal, até 1994, desempenhando a função de repórter e editor fotográfico de publicações como o semanário O Jornal, semanário Se7e, semanário JL e a revista Visão. Notabilizou-se com algumas fotografias de capa que publicou no Jornal Ilustrado e na revista Visão, bem como com as reportagens a Angola, Moçambique e Cabo Verde.
Na década de 1990 passou pela Namíbia e documentou a guerra do Golfo.

[Descolonização, estátuas portuguesas retiradas] 1975-11-11 PT/AMLSB/JPL/000004 © Arquivo Municipal de Lisboa
[Pioneiros] Luanda 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000032
© Arquivo Municipal de Lisboa
[Militares angolanos e portugueses] Luanda 1975-11-11 PT/AMLSB/JPL/000018
© Arquivo Municipal de Lisboa

Nos últimos anos da sua atividade profissional, Joaquim Lobo ainda se estabeleceu com uma loja de equipamento e material fotográfico – Fotomédia – Comércio e Indústria de Fotografia Lda, no espaço do Centro Comercial Solatia, em Carnaxide.

Em 1975, na qualidade de repórter fotográfico, deslocou-se a Angola com o colega Cáceres Monteiro, com o propósito de documentar através da imagem as vivências do período da descolonização.

[Mulheres e crianças no dia da independência] Kifandongo 1975-11-11 PT/AMLSB/JPL/000020
© Arquivo Municipal de Lisboa
[Banda de música e soldados angolanos] Ilha de Luanda 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000025
© Arquivo Municipal de Lisboa

Na noite do dia 10 para 11 de novembro desse ano, realizou em Luanda uma importante reportagem fotográfica, em condições extremamente difíceis, sobre a independência de Angola, mostrando o momento tumultuoso em que Agostinho Neto autoproclamava a independência do país e os momentos subsequentes da “dipanda”, nome local para os festejos da independência.
Este levantamento fotográfico constituiu um dos pontos mais altos da sua carreira de fotojornalista já que foi um dos únicos, neste dia, a documentar os acontecimentos: “Foram dois breves meses de um alegre convívio. Augurei-lhe venturas e prometi voltar com um sorriso na fronte. Acenou-me indiferente.”

[Manifestação de apoio à independência] Kifandongo 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000028
© Arquivo Municipal de Lisboa
[Jornal de parede] Luanda 1975-11-11 PT/AMLSB/JPL/000031
© Arquivo Municipal de Lisboa

O Arquivo Municipal de Lisboa-Fotográfico organizou e apresentou, entre 11 de novembro de 2010 e 15 de janeiro de 2011, uma exposição inédita sobre este conjunto de imagens, considerada nas palavras do autor como “um instantâneo da história angolana”. A mostra permitiu dar a conhecer ao público um olhar profundo e singular sobre os últimos dias da presença portuguesa e o nascimento do novo Estado angolano.
Foi igualmente uma oportunidade para homenagear a comunidade angolana, residente em Lisboa, no dia em que se comemoraram os 35 anos da independência de Angola.

Estrada para a barra do Quanza 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000033
© Arquivo Municipal de Lisboa
[O almirante Leonel Cardoso, Alto-Comissário de Angola, proclama a independência de Angola em nome do governo português] Luanda 1975-11-10 PT/AMLSB/JPL/000045 © Arquivo Municipal de Lisboa

Este conjunto de 57 provas digitais constituíram a exposição – Os dias da Independência – Angola 1975.
A 10 de fevereiro de 2011 o autor manifestou a intenção de doar ao Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico a exposição, tendo esta sido, posteriormente, integrada no acervo do Arquivo, descrita, digitalizada e colocada à consulta do público para estudo e divulgação.

Entre os seus pares ficou conhecido pela perseverante participação cívica e pelo enorme profissionalismo: “um dos nomes com mais história no fotojornalismo português”.

[Local de recenseamento das FAPLA, Forças Armadas Populares de Angola] 1975-11
PT/AMLSB/JPL/000047 © Arquivo Municipal de Lisboa

Ficou associado à renovação da imprensa portuguesa após o 25 de Abril, deixando um importante legado para a história do fotojornalismo português e para a memória visual dos acontecimentos que marcaram o final do império colonial português.

Na década de 2000, Joaquim Lobo esteve presente em vários programas na rádio e na televisão. Foi entrevistado por Julio Isidro, de quem era muito amigo, para testemunhar a sua participação durante a revolução de 25 de abril de 1974 e demais acontecimentos nos meses que se sucederam, nomeadamente, a cobertura da independência de Angola.

Organização da Mulher Angolana Luanda 1975-11 PT/AMLSB/JPL/000049
© Arquivo Municipal de Lisboa

Foi nesta fase da vida que Joaquim Lobo referiu: “eu não sou um fotógrafo. Sou um repórter fotográfico (…) A fotografia de jornal tem de irritar, tem de chocar, tem de mexer com qualquer coisa (…)

Numa esfera mais intimista, ao longo do ano de 2009, Joaquim Lobo participou no programa de rádio – As canções da minha vida -, conduzido por António Macedo, onde destacava e comentava uma canção pelo qual nutria um enorme encantamento.
Joaquim Lobo faleceu em Lisboa, a 4 de julho de 2011, aos 67 anos.

Isabel Corda
Paula Delgado

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