“Espelho, Reflexão”, de Manuel Casimiro

A inauguração da exposição “Espelho, Reflexão”, de Manuel Casimiro, no passado sábado, 23 de maio, transformou a Casa Barbot num palco vibrante de celebração artística e num reencontro caloroso entre o público e um dos nomes maiores das artes plásticas portuguesas. Desde cedo, o espaço encheu-se de visitantes, colecionadores, críticos e admiradores que não quiseram perder a oportunidade de testemunhar o regresso de Casimiro a um ambiente expositivo que lhe faz justiça. A afluência foi tão expressiva que rapidamente se tornou evidente a força do momento: poucas figuras conseguem mobilizar gerações de forma tão transversal, e Manuel Casimiro continua a ser uma delas, convocando olhares atentos, memórias afetivas e uma curiosidade sempre renovada.


Em “Espelho, Reflexão”, o artista revisita temas que têm marcado o seu percurso desde os anos 70: a identidade, o duplo, a presença e a ausência, o gesto que se repete e se transforma, a tensão entre o visível e o oculto. As obras, distribuídas num percurso expositivo cuidadosamente desenhado, criam um diálogo subtil entre si e com o próprio visitante. Cada peça funciona como um convite à introspeção, desafiando quem observa a questionar o que vê, o que projeta e o que reconhece de si no reflexo simbólico que Casimiro constrói. A escolha da Casa Barbot, recentemente reaberta ao público, acrescentou uma camada simbólica à inauguração. Embora a nota da reabertura tenha sido discreta, o gesto não passou despercebido: devolver este espaço à comunidade cultural e fazê-lo com uma exposição de Manuel Casimiro demonstra a vontade clara do novo executivo municipal em reforçar a centralidade da cultura na vida da cidade. O edifício, com a sua arquitetura singular e atmosfera intimista, revelou-se o cenário ideal para acolher uma mostra que exige atenção, silêncio e disponibilidade para o encontro com a obra.


O entusiasmo vivido no dia da inauguração confirmou não apenas o impacto duradouro da obra de Casimiro, mas também a relevância desta exposição no panorama artístico atual.
Para quem ainda não teve oportunidade de visitar, a exposição estará patente até 20 de setembro de 2026, podendo ser vista de terça-feira a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h00. Imperdível!

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