Edgar Martins

O novo projeto de Edgar Martins é, simultaneamente, um projeto documental baseado numa investigação sobre eventos reais, um lipograma e um estudo antropológico imaginário. É composto por fotografias originais de Edgar Martins, imagens pesquisadas e obtidas em fóruns da ‘dark web’ de combatentes e militantes do regime de Gaddafi, um livro de desenhos criado por um combatente líbio em colaboração com Martins e um álbum sonoro gravadas pelo artista la Líbia
Desenvolvido no Norte de África ao longo de seis anos, este projeto baseia-se numa história e experiência comovente e profundamente pessoal: a morte e o desaparecimento de um amigo próximo de Edgar Martins – o fotojornalista Anton Hammerl – durante a guerra da Líbia em 2011.

© Edgar Martins
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Inspirado pela obra de Georges Perec e Georges Didi-Huberman, e tendo como pano de fundo o papel decisivo mas paradoxal que a fotografia tem desempenhado em zonas de conflito, o projeto de Martins usa a história de Anton como ponto de partida para explorar uma premissa desafiadora: como contar uma história quando não há testemunhas, provas, vestígios, e nem o próprio sujeito?
Num esforço para responder a esta questão, Martins refez o percurso de Anton, visitando os locais por onde ele viajou, o lugar onde foi raptado e encontrou o seu fim. Além disso, interagiu com um grupo restrito de pessoas que Anton fotografou ou conheceu, e com outras que estiveram implicadas ou foram afetadas pelo conflito (militantes e os seus descendentes, rebeldes, milícias, apoiantes de Gaddafi, residentes locais, dissidentes líbios, etc.).

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Ao documentar o que apenas pode ser constituído como uma ausência, a fotografia torna-se para Martins um “documento impossível”, um vestígio do fosso intransponível entre significante e significado, entre linguagem e experiência, entre a fotografia e o seu referente.
Neste sentido, este projeto é muito mais do que uma homenagem a um amigo assassinado. Retrata uma história complexa, distorcida por ausências, que fala da dificuldade de documentar, testemunhar, presenciar, recordar e imaginar a guerra, bem como do seu ecossistema de informação/desinformação, da ética fotográfica e da representação da perda e do trauma.

© Edgar Martins
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O livro deste projeto inclui ensaios de autores célebres como David Campany e Will Self e foi produzida em colaboração com a Human Rights Watch, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal) e o Archive of Modern Conflict.
Este projeto de grande envergadura é o mais ambicioso e pessoal de Martins até à data. Foi reconhecido com o Sony World Photography Awards 2023, o International Photography Awards 2023 e o Hariban Photography Prize 2023.

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