Ferreira da Cunha

O fotógrafo Ferreira da Cunha a bordo do paquete Colonial que empreendeu a viagem presidencial às colónias
1939-06 | PT/AMLSB/EFC/001957 | © Arquivo Municipal de Lisboa
Ferreira da Cunha, à direita, com os jornalistas que fizeram a reportagem do movimento revolucionário, fotografados com os ministros da Guerra e das Colónias
1927-02-07 | PT/AMLSB/EFC/000987 | © Arquivo Municipal de Lisboa
General Gomes da Costa e a oficialidade saindo da tenda de campanha onde foi servida
uma taça de champagne, para comemorar a vitória do golpe militar
1926-06 | PT/AMLSB/EFC/000010 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Álvaro Abranches Ferreira da Cunha (1901-1970) nasceu em Lisboa, a 5 de março de 1901, tendo sido batizado na igreja paroquial dos Anjos, no dia 5 de maio de 1902. Filho de Eduardo Abranches Ferreira da Cunha e de Palmira Aida Martins Neves, recebeu da família uma educação privilegiada. O seu pai foi juiz do Tribunal da Relação do Conselho de Sua Majestade e deputado da Nação.
Frequentou, com distinção, o segundo grau da instrução primária. Em 1911 ingressou no curso de Letras no Liceu Camões, em Lisboa.

Grupo de pescadores poveiros regressados do Brasil, junto ao posto de desinfeção
1920-11 | PT/AMLSB/EFC/002117 | © Arquivo Municipal de Lisboa
Polícia sinaleiro na rua Garret
1928-05 | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000457 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Aos 6 anos de idade recebeu a primeira máquina fotográfica, tendo começado a fotografar no seio familiar. Durante o tempo que frequentou o Liceu Camões, Ferreira da Cunha aprofundou os seus conhecimentos técnicos sobre fotografia.
Após a morte do pai, em 1919, matriculou-se no 7º ano do liceu, mas acabou por transitar para o ensino doméstico, em 1920.
Em 8 de dezembro de 1921 casou com Matilde Amélia Pinto, sua antiga colega de liceu. Sendo descendente de uma família abastada, o casal recebeu de presente de casamento uma casa, na rua António Serpa, em Lisboa, mas, por vontade de Ferreira da Cunha, foram habitar na residência de família, na rua Actor Taborda, onde o fotógrafo já possuía a sua câmara escura.

Embarcações à vela no rio Tejo
[ant. 1970] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000214 | © Arquivo Municipal de Lisboa
O Presidente da República, general Carmona, acompanhado pelo ministro das Colónias, Francisco José Vieira Machado, passa revista às tropas
1939-07-02 | PT/AMLSB/EFC/001832 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Três anos após a morte do pai, Palmira, sua mãe, volta a casar, e partem para Moçambique onde o marido fora nomeado funcionário da administração. Álvaro e Matilde acompanharam-nos nesta viagem e é lá que nasce a sua única filha, Maria Libânia, no dia 18 de fevereiro de 1924. Durante o tempo que permaneceu em África, Ferreira da Cunha trabalhou como fotógrafo, para a edição de postais. Em meados de 1925 regressou a Lisboa e começou a trabalhar como repórter fotográfico em revistas e jornais desportivos. A qualidade técnica das suas imagens chama a atenção de João Pereira Rosa, diretor do jornal O Século, que, rapidamente, lhe dirige um convite para se profissionalizar como repórter fotográfico deste periódico diário. Seguem-se outras colaborações das quais se destacam: em 1928, com o Notícias Ilustrado; em 1938, com o Século Ilustrado, entre agosto de 1933 até 1970, no Diário de Notícias onde assumiu a função de chefe de secção de reportagem fotográfica.

Partida do Navio Colonial
[193-] | PT/AMLSB/EFC/001170 | © Arquivo Municipal de Lisboa
O edifício dos Correios de Lourenço Marques, engalanado e iluminado, por ocasião da visita presidencial do General Óscar Carmona a Moçambique
1939 | PT/AMLSB/EFC/002029 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Da amizade que estabeleceu com o realizador de cinema José Júlio Leitão de Barros, Ferreira da Cunha colaborou, também como fotógrafo, nos filmes Lisboa, crónica anedótica (1930), Maria do Mar (1930), A Severa (1931) e Camões – erros meus, má fortuna, amor ardente (1946).
Ferreira da Cunha revelou-se um fotógrafo, não só empenhado na sua carreira profissional de repórter fotográfico, como também demonstrou preocupação pelas condições de trabalho dos seus colegas. Por isso, inscreveu-se como sócio ordinário do Sindicato Nacional dos Jornalistas tendo chegado a pertencer aos corpos gerentes, entre 1936 e 1939. Em 1943 foi convidado a assumir a presidência da Comissão corporativa dos repórteres fotográficos da imprensa diária, tendo como função a apreciação e atribuição de carteira profissional aos novos jornalistas. Foi, ainda, distinguido com o Prémio de Honra da Exposição Industrial Portuguesa, em 1932.

Estação dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, iluminada, por ocasião da visita presidencial do General Óscar Carmona a Moçambique
1939 | PT/AMLSB/EFC/002027 | © Arquivo Municipal de Lisboa
Obras de pavimentação na rua Braamcamp
1946-07 | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000111 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Álvaro Ferreira da Cunha foi um fotógrafo estimado entre os seus pares. Pessoa culta e muito admirada, além de se relacionar com inúmeros fotógrafos, era amigo de escritores, cineastas e artistas plásticos. Foi, também, um apaixonado pela cidade de Lisboa. Integrou o grupo Amigos de Lisboa, sendo o sócio número 168. Foi amigo de Anselmo Franco, André Salgado, Júlio Marques da Costa, Vasco Serra Ribeiro, Firmino Marques da Costa, Armando Serôdio, Judah Benoliel e muitos outros fotógrafos.

Panorâmica de Lisboa, vendo-se Alfama e a Encosta do Castelo
[ant. 1940] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000382 | © Arquivo Municipal de Lisboa
Avenida Fontes Pereira de Melo, junto ao Marquês de Pombal
[ant. 1940] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000113 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Faleceu em Lisboa, no dia 27 de julho de 1970.
O Arquivo Municipal de Lisboa detém, no seu acervo, dois conjuntos documentais de Ferreira da Cunha. O primeiro vendido pelo fotógrafo, entre 1944 e 1952, e após a sua morte pela viúva, entre 1970 e 1971. É constituído por 922 imagens que retratam diversos locais de Lisboa, obras de transformação na cidade, cenas de quotidianos, tipos populares, monumentos e acontecimentos sociais e políticos, captadas até ao ano da sua morte.

Aqueduto das Águas Livres
[ant. 1938] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000202 | © Arquivo Municipal de Lisboa
Estufa Fria
[1944] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000658 | © Arquivo Municipal de Lisboa

O segundo conjunto, com 2272 imagens, captadas entre 1910 e 1940, foi vendido por Matilde à Medipress e é composto por uma coleção de negativos de vidro que o marido tinha organizado. Alguns são da sua autoria e outros são de fotógrafos amigos, que ele foi colecionando ao longo do tempo. Esta coleção foi oferecida ao Arquivo Municipal de Lisboa, em junho de 2000, através da Sojornal – Sociedade Jornalística Editorial, S. A. que havia adquirido a Medipress.
Nos dois conjuntos de imagens os temas mais preponderantes são a cobertura de acontecimentos políticos, acontecimentos sociais, a cidade de Lisboa, o seu património e as vivências sociais e a cobertura da viagem presidencial a Moçambique.

Isabel Corda
Sílvia Reis

Mosteiro dos Jerónimos
[ant. 1940] | PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FEC/000015 | © Arquivo Municipal de Lisboa

Website

Instagram

Facebook

Deixe um Comentário

Your email address will not be published.

Start typing and press Enter to search